Brasileira consegue deixar Nablus e voltar ao País

A brasileira Elisa Helena Karsou, de 32 anos, finalmente conseguiu deixar a Cisjordânia com os dois filhos pequenos, depois de oito meses de tentativas. Elisa vivia na cidade de Nablus, ocupada pelo exército israelense durante o mês de abril e que voltou a ser bombardeada na última sexta-feira. A brasileira teve de passar clandestinamente por matagais para chegar à embaixada do Brasil, em Israel. "Decidi arriscar porque nós morreríamos de um jeito ou de outro", disse. Ela desembarcou no Aeroporto Internacional Tom Jobim na manhã de sábado.Elisa contou que tentava deixar a Cisjordânia desde setembro, logo depois dos atentados em Nova York. Ela disse que encontrava dificuldades porque o filho mais novo, Ebraim Sued, de 1 ano e meio, não tinha passaporte. Elisa é mãe também de Amir Mohammad, de 8 anos. Quando as tropas israelenses tomaram a cidade de Nablus, a mãe de Elisa, Heloísa Helena Bragança, de 54 anos, recebeu um telefonema da filha, que estava apavorada."Mãe, a coisa está feia. Tem muitos cadáveres apodrecendo nas ruas e ninguém consegue retirar os corpos porque pode levar um tiro. Pelo amor de Deus, me tira daqui". Durante um mês, a família de Elisa não tomou banho e fazia apenas uma refeição diária para economizar água e comida.Heloísa procurou o Itamaraty e pediu a intervenção da embaixada brasileira em Israel para que sua filha e netos voltassem ao País. Na última sexta-feira, Elisa já tinha as passagens compradas e deveria seguir para a embaixada a fim de pegar o passaporte do filho mais novo, quando helicópteros voltaram a bombardear a cidade de Nablus."Ficaram umas duas, três horas bombardeando. Quando acalmou um pouco, eu falei para o motorista: eu quero tentar, eu não vou ficar aqui mais, porque se eles entrarem outra vez, eu não vou conseguir sair". Esse motorista foi contratado por Elisa por ser palestino e ter autorização especial para circular nos espaços ocupados por israelenses.Elisa seguiu com os filhos até a saída de Nablus. Ali, os soldados mandaram que o grupo voltasse. "Fomos pelo meio do mato, das árvores, subimos morros. Conseguimos chegar à embaixada. Parece um sonho, não acredito que cheguei aqui", afirmou.A brasileira disse que pretende construir vida nova com as crianças no Brasil. "Elas só viram morte, guerra, sangue. Se ficassem lá elas acabariam pensando igual a eles, em explodir, matar", acredita. Elisa não sabe quando volta a encontrar o marido, o palestino Ayman Karsou, com quem é casada há 10 anos. Ele não pôde deixar Nablus. Elisa e os filhos estão com a mãe dela, em Guapimirim, no interior do Estado. A brasileira, que cursou três anos de jornalismo em Moscou, fala russo, inglês e árabe e pretende trabalhar em atividades ligadas ao turismo.

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