Brasil volta a ser "mercado" para o tráfico internacional

O Brasil voltou a ser um dos mercados visados pelo narcotráfico internacional, com a queda no preço da droga no exterior, e o grande excedente de pasta-base de cocaína em países produtores. Um levantamento feito pela Polícia Federal mostrou que grande quantidade de drogas está sendo enviada para o Paraguai, entrando no Brasil pelo interior paulista, reestabelecendo a chamada "rota caipira". Algumas cidades já estão sendo visadas pelos traficantes, como Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, além da região de Campinas e Atibaia. Somente este ano, a PF apreendeu mais de 140 toneladas de drogas, a maior parte oriunda do Paraguai.Das 82 toneladas de cocaína e maconha apreendidas em Mato Grosso do Sul este ano, pelo menos 70% tinham como destino final o interior paulista. "A droga está sendo distribuída nestes centros por serem regiões de alto poder aquisitivo, mas também servem como base de redistribuição para São Paulo e Rio de Janeiro", informou um delegado ligado à Divisão de Repressão à Entorpecentes (DRE) da PF.Conforme investigações da Polícia Federal, o preço do quilo de cocaína caiu quase 80% na Colômbia, que era o principal país produtor. Hoje, a droga é exportada a um preço irrisório, segundo investigadores. "Não está havendo lucro. A Colômbia é só produtor e o refino tem que ser feito no Peru ou Bolívia. Por isso, é mais fácil usar a antiga rota brasileira", afirma a fonte da PF. Além disso, há uma produção excessiva no Peru, que também está sendo enviada para o Brasil.O narcotráfico envia a cocaína para o Paraguai, hoje o maior produtor de maconha da América do Sul. De lá sai em caminhões, carros particulares, trens e aviões para o Brasil, principalmente para o interior de São Paulo. As estatítiscas dos últimos meses mostram a reativação da "rota caipira". Das 62 apreensões deste ano, só na fronteira com o Paraguai - que totalizaram 82 toneladas -, 25 tinham como destino final o Estado de São Paulo. As demais eram para o Rio de Janeiro (seis apreensões), Paraná (15), Rio Grande do Sul e Minas Gerais (oito apreensões cada).Na avaliação de policiais, os grandes canaviais existentes no interior de São Paulo facilita o narcotráfico. "Há inúmeras estradas, todas em perfeitas condições, que podem ser utilizadas pelos traficantes para escapar da vigilância policial", afirma o superintendente da PF em Mato Grosso do Sul - Estado recordista em apreensões de drogas - Wantuil Jacine.Além disso, nas imediações de Campinas e Atibaia existe grande quantidade de pequenas pistas de pouso, muitas sem controle, onde pequenos aviões vindos do Paraguai pousam com droga. "Os dois locais se tornaram ponto alternativo para uso do tráfico", informa um delegado da PF. Dali, a droga é enviada em caminhões ou pequenos veículos para a capital e até para o Rio, que está se servindo da "rota caipira" para abastecimento.

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