Brasil vai investir em 'zona livre de exportação' de Cuba

País terá participação na 1ª empresa a se instalar no porto de Mariel, financiado na maior parte pelo governo brasileiro; fábrica de medicamentos usará recursos brasileiros e tecnologia cubana

Lisandra Paraguassu, enviada especial de O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2012 | 22h34

HAVANA - Além de financiar a maior parte do porto de Mariel, em Cuba, o governo brasileiro também deve investir na primeira empresa a se instalar na zona livre de exportação que será criada junto com a construção do porto. Na terça-feira, 31, no encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente Raúl Castro, foi assinado o primeiro convênio que levará à criação de uma fábrica de medicamentos que usará recursos brasileiros e tecnologia cubana, especialmente na área de anticancerígenos.

 

O primeiro cliente também deverá ser o governo brasileiro. A intenção é que os remédios sejam fabricados em Cuba para serem enviados ao Brasil, dentro do programa de distribuição de medicamentos especiais do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Cuba já exporta hoje remédios e insumos farmacêuticos para o Brasil, que representam mais de 80% da magra pauta de exportações da ilha. A intenção do governo Dilma, na sua ânsia de destravar a economia cubana, é que Mariel seja usado por outras empresas brasileiras que queiram vender para a América Central e o Caribe. Uma fábrica de vidro brasileira também já começa sua instalação no país, mas não será no local do porto porque as obras só devem ser finalizadas em 2014.

 

Hoje, Cuba importa 80% do que consome. Sua pauta de exportações vai pouco além de insumos para medicamentos, tabaco e níquel. O Brasil, com US$ 90 milhões de dólares comprados em 2011, é o segundo maior parceiro comercial do país desde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Usar a capacidade do porto de Mariel será um desafio.

 

Na terça-feira, a presidente visitou, acompanhada de Raúl, as obras do porto. Os jornalistas brasileiros que, inicialmente poderiam acompanhar a visita, acabaram presos por uma hora e meia dentro de um ônibus do lado de fora das obras.

 

Depois de acordar com o governo brasileiro que todos entrariam, o cerimonial cubano mudou de ideia. Retirou os jornalistas que já estavam no local para onde a presidente iria com a desculpa de fazer uma checagem de equipamentos e depois proibiu a entrada. Apenas permitiu que seis cinegrafistas pudessem filmar a visita.

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