Brasil vai com Bustani até o fim, diz Lafer

O ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, disse, nesta quarta-feira, a parlamentares, que considera ?muito difícil? a permanência do embaixador José Maurício Bustani na direção-geral da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq). Mas assegurou que o governo vai defender o embaixador ?até o fim?.No próximo domingo, os 145 membros da organização votam uma moção de afastamento de Bustani apresentada pelos Estados Unidos. O Brasil, portanto, se prepara para sair derrotado da convenção, apesar de ter mudado sua orientação sobre a defesa do embaixador e convertido o caso em uma bandeira contra as investidas americanas para minar a credibilidade de entidades multilaterais.Lafer foi convidado a participar de reuniões reservadas com deputados e, em seguida, com senadores justamente por causa da posição assumida pelo governo em relação ao diretor-geral da Opaq, considerada como titubeante por vários parlamentares.Durante as reuniões, entretanto, o ministro listou as gestões em defesa de Bustani feitas pelo governo aos demais países da Opaq e até mesmo aos Estados Unidos. Ressaltou que não interessaria ao País converter o caso em uma briga bilateral com o governo americano e deixou clara sua avaliação de que o afastamento de Bustani por pressões americanas pode abrir um sério precedente para os demais organismos multilaterais.Lafer explicou ainda que há poucas chances de os Estados Unidos perderem a disputa. ?As respostas às gestões que fizemos sugerem que será muito difícil a manutenção de Bustani?, declarou Lafer aos deputados. ?Mas, independente das perspectivas, o governo continuará a se empenhar pela permanência do embaixador até o fim?, completou.O ministro explicou que, na votação da primeira moção apresentada pelos Estados Unidos, no final de março, aos membros do Conselho Executivo da Opaq, as abstenções tiveram peso favorável à permanência de Bustani no posto. No domingo, será diferente.Nas votações da assembléia-geral da organização, as abstenções são desconsideradas como voto. Os Estados Unidos contam com o apoio dos países da União Européia e do Japão. Países não alinhados, como os da África e da Ásia, ainda não indicaram seus votos.A maioria dos latino-americanos, assim como aconteceu em março, deve abster-se. A oposição concordou com a avaliação da Lafer. O deputado Aloizio Mercadante (PT-SP), secretário de Relações Internacionais de seu partido, lembrou que esta será a primeira vez que o diretor-geral de uma entidade multilateral passa por um processo de impeachment, movido pelos Estados Unidos.Alertou que, dado o fato de que se trata de um organismo orientado para o desarmamento e para a solução negociada de conflitos, o governo não pode esmorecer. ?É preferível perder lutando?, afirmou.

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