Brasil vai aumentar número de operações policiais com países vizinhos

Brasil vai aumentar número de operações policiais com países vizinhos

Segundo o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, objetivo é combater crimes como contrabando, tráfico de armas e pessoas e lavagem de dinheiro; proposta foi anunciada em reunião com representantes de Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia

Lu Aiko Ota, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2016 | 06h00

BRASÍLIA - O Brasil pretende aumentar o número de operações policiais conjuntas com os países vizinhos para combater crimes como contrabando, tráfico de armas e pessoas e lavagem de dinheiro, disse o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes nesta quuarta-feira, 16. A disposição deles em participar foi, segundo avaliou, o principal saldo da reunião sobre segurança nas fronteiras da qual participaram representantes de Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia.

“Temos tratados com todos os países, mas é preciso trazer isso para o chão da fábrica”, disse o ministro. “Não adianta ter tratados, se não tem cooperação policial.” Moraes acrescentou que, atualmente, o País só faz operações conjuntas com o Paraguai.

A necessidade de colocar na prática as leis, tratados e regulamentos de combate ao crime levou também o presidente Michel Temer a reformular o plano nacional de proteção das fronteiras. Um decreto assinado na abertura da reunião nesta quarta-feira vai tornar a atuação do governo mais operacional, segundo Moraes. Os diversos órgãos ligados à segurança na fronteira vão planejar operações conjuntamente.

“As ameaças à segurança pública se tornam crescentemente complexas e cada vez mais ultrapassam as fronteiras”, disse Temer na abertura da reunião. Ele acrescentou que a violência adquire "traços desesperadores". Ao citar o problema da dependência química, comentou que a questão do narcotráfico “ganha força de tragédia”.

No final de outubro, os chefes dos três Poderes se reuniram para discutir a segurança na fronteira. O tema também foi citado por Temer em seu discurso na assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro.

“Demos um tratamento positivo a uma agenda eminentemente negativa”, disse o ministro das Relações Exteriores, José Serra, anfitrião do encontro, ao comentar a disposição dos demais países em cooperar. Ele acrescentou que, no ano passado, ocorreram 58.492 mortes violentas no País, boa parte delas consequência dos crimes transfronteiriços.

Na parte fechada da reunião, cujo áudio foi transmitido acidentalmente por alguns minutos, o chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, citou nominalmente o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações criminosas que estão presentes em todo o País, por meio de associados ou “franquias”. Ele disse que, agora, essas organizações buscam internacionalizar-se.

Propostas. O governo brasileiro ofereceu aos países vizinhos a possibilidade de utilizar o centro internacional de cooperação policial estruturado para os Jogos Olímpicos, e de compartilhar a tecnologia dos “laboratórios de lavagem de dinheiro”, já instalados na Polícia Federal, que permitem rastrear os recursos.

O ministro da Defesa, Raul Jugmann, propôs que as Forças Armadas dos demais países possam atuar na prevenção e repressão de crimes na fronteira, tal como ocorre no Brasil. Ele disse também que a operação Ágata será reformulada para aumentar o efeito surpresa das operações. E anunciou que o governo brasileiro utilizará um satélite israelense de baixa altitude para monitorar a fronteira. / COLABORARAM CARLA ARAÚJO e TÂNIA MONTEIRO

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