Brasil vai apoiar estratégia da OMS para alimentação saudável

Depois de muita polêmica e várias rodadas de discussão, o governo brasileiro finalmente anunciou que vai apoiar a Estratégia Global da Organização Mundial de Saúde (OMS) para Alimentação Saudável. A decisão foi tomada cinco dias antes da votação do documento na Assembléia Mundial de Saúde e, principalmente, encerra um embate entre os Ministérios da Saúde e da Agricultura que se arrasta há mais de dois meses.O documento contém recomendações aos países para combater a epidemia de obesidade. Entre as propostas, está a redução do consumo de gorduras, sal e açúcar. Foi este último ponto o causador da discórdia. Em fevereiro, numa reunião prévia para discutir o documento, o Brasil manifestou-se contrariamente às propostas do documento, alegando falta de embasamento científico. Uma posição fundamentada principalmente em aspectos econômicos. O Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo - são 13 milhões de toneladas por ano.Há um mês, o diretor do Departamento do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, Angelo Bressan Filho, admitiu que não seria interessante para o País depreciar o açúcar como alimento. Nesta quarta-feira, em uma reunião com representantes dos Ministérios da Saúde, da Agricultura, do Desenvolvimento, das Relações Exteriores e da Fazenda, decidiu-se apoiar o documento, com algumas restrições. No parágrafo 22, o Brasil recomenda "respeitar os limites apropriados da ingestão de açúcares livres". Ao mesmo tempo, no capítulo que trata sobre políticas públicas, o governo sugere a inclusão de um item para garantir que as medidas têm de ser compatíveis com o que determina a Organização Mundial do Comércio.

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