Brasil vai ajudar países pobres na luta contra aids

O Ministério da Saúde lançou hoje fundo de solidariedade para ajudar países pobres a combater a aids. O programa, criado oficialmente por portaria publicada no Diário Oficial da União, terá R$ 2,5 milhões para serem investidos em dez projetos-piloto de prevenção e tratamento da doença.Nos próximos meses, o governo brasileiro vai selecionar as melhores propostas de iniciativas nacionais contra a aids. Os critérios serão divulgados em breve pelo ministro da Saúde, Barjas Negri, mas já está definido que terão prioridade os países mais pobres e aqueles com maiores números de infectados com o vírus HIV - o causador da doença. "Os critérios estão sendo estabelecidos, mas é claro que daremos prioridade para os países com as maiores necessidades", explicou Paulo Teixeira, coordenador do Programa de Aids do ministério.A criação de um fundo de solidariedade nos moldes do fundo mundial antiaids surgiu por dois motivos. O governo brasileiro vem sofrendo grande pressão de organizações não-governamentais para fornecer medicamentos contra o HIV para países pobres. "Recebemos muitos pedidos de diversos países que precisam de remédios desesperadamente e não têm condições de comprá-los. Essa foi a forma de atender essa demanda", conta Teixeira.A outra razão para o fundo é tentar ampliar o número de aliados do Brasil na luta contra os laboratórios internacionais pela redução dos preços de medicamentos e pelo direito de continuar produzindo genéricos desses remédios, mesmo que isso signifique quebra de patentes. "É inegável que, se vários países começam a produzir genéricos e implantar programas de combate à aids semelhantes ao do Brasil, fica mais fácil continuar mantendo nossa política de fornecimento gratuito de drogas", afirmou Teixeira.AcordoO Brasil já tem acordos de cooperação técnica com vários países, como Cuba e os países africanos de língua portuguesa. Nesses acordos, o governo tem tentado ajudar a montar fábricas de medicamentos que, como no Brasil, reproduzem as fórmulas dos antiretrovirais e criam genéricos desses remédios. Mas, com a criação do fundo, será a primeira vez que o País vai se posicionar como um doador de medicamentos para os mais pobres. Inicialmente o ministério terá disponível R$ 2,5 milhões para financiar os dez projetos durante um ano e atingir pelo menos 100 pacientes em cada um dos projetos-piloto. Mas o programa poderá ser ampliado e conseguir mais verbas no futuro. "É bem provável que ele continuará funcionando no futuro até porque não é aconselhável parar o tratamento dos doentes", disse o coordenador do Programa de Aids.

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