Brasil vai abrigar refugiados do Afeganistão

O governo brasileiro decidiu abrigar famílias fugitivas da guerra no Afeganistão, que hoje estão na fronteira do país com o Paquistão, sob a cobertura de organismos das Organizações das Nações Unidas (ONU). Os primeiros afegãos devem chegar logo na primeira quinzena de janeiro de 2002, mas os locais de assentamento ainda não estão definidos. O anúncio sobre a decisão das autoridades brasileiras será feito pelo Ministério da Justiça.Inicialmente, segundo fontes do governo, serão abrigadas 26 famílias que estão protegidas pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), nos mais de cem campos localizados ao longo da fonteira paquistanesa, alguns iniciados ainda em 1999, durante os combates entre o Afeganistão e as forças russas. Entretanto, ainda não há definições sobre os critérios de escolha das famílias e regiões para onde serão deslocadas.Esta não é a primeira vez que o Brasil se dispõe a oferecer refúgio à famílias do Oriente Médio. No ano passado, as autoridades do Ministério da Justiça chegaram a estudar a concessão de abrigo para dezenas de famílias Bahai?i que estavam sendo perseguidas no Iraque, pelo regime de Saddam Hussein. Entretanto, a idéia brasileira não foi levada adiante.Hoje, o Brasil tem em torno de 2.600 pessoas que estão sob a condição de refugiados políticos, muitos de origem africana. Grande parte está no Rio de Janeiro e São Paulo. O processo tem que passar pelo Conselho Nacional de Refugiados (Conare), que atualmente analisa talvez seu caso mais complexo, que é da cantora mexicana Glória Trevi, que está com sua extradição decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas quer continuar no Brasil sob a condição de asilada política.O governo brasileiro nega que a chegada dos refugiados afegãos tenha sido precipitada pela guerra contra o terror declarada pelos Estados Unidos. Segundo fontes do Ministério da Justiça, a decisão de abrigar as famílias estava tomada desde o início do ano, mas foi temporariamente adiada por causa dos atentados terroristas.

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