Brasil terá centros de teste de aids em fase 3

O Brasil está se preparando para entrar na rede dos poucos países do mundo que hoje testam vacinas para aids em fase 3, a etapa final de experimentos que utiliza milhares de voluntários. Para isso, o Ministério da Saúde vai destinar verbas extras para criar seis centros de testagem no País e estimular universidades públicas a desenvolver suas próprias vacinas. Em um ano, o País pretente estar pronto para realizar o primeiro teste em, pelo menos, 5 mil pessoas distribuídas por Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Curitiba. A primeira vacina a ser testada ainda não foi escolhida, mas a Coordenação de Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis informa que pretende escolher um produto produzido pela IAVI, uma ong norte-americana que produz vacinas com o patrocínio de ricos e poderosos, como o dono da Microsoft, Bill Gates. O IAVI teria duas vacinas promissoras produzidas por engenharia genética com partes do HIV e de outros vírus, uma chamada de MVA, e a outra, ainda sem nome. "Nosso objetivo principal é fazer parcerias com instituições como o IAVI e a OMS (Organização Mundial de Saúde), porque eles são grupos que têm interesse em desenvolver drogas para países em desenvolvimento", explica Luís Fernando Brígido, responsável pelo setor de vacinas da Coordenação de Aids do ministério. Os testes em fase 3 são feitos principalmente em dois países do mundo, nos Estados Unidos e na Tailândia. As vantagens são muitas: os países que realizam os experimentos acabam tendo acesso mais rápido a esses novos tratamentos, conseguem produtos mais baratos e ainda desenvolvem vacinas que levam em consideração as características da manifestação da doença naquela população. "Sem dúvida, estaremos mais perto do que está na ponta da pesquisa no mundo. E ainda teremos uma estrutura já pronta para testar outros medicamentos", diz Brígido. O ministério destinou uma verba inicial de R$ 400 mil por ano para cada capital que se transformar em centro de testagem. O dinheiro será usado para preparar um hospital de referência, treinar pessoal e comprar material. Das seis capitais escolhidas, apenas São Paulo e Rio são consideradas já preparadas para iniciar testes imediatamente. Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Curitiba terão que se adequar. O ministério também pretende publicar, em abril deste ano, um edital disponibilizando R$ 500 mil para universidades que tenham projetos para desenvolver vacinas. A USP de Ribeirão Preto e a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio, seriam os dois centros mais habilitados para iniciar pesquisas com HIV porque já desenvolvem vacinas para outras doenças, como tuberculose, malária etc. Rio e São Paulo já realizam vários testes de produtos candidatos a vacina em fases 1 e 2 há alguns anos. Recife entrou recentemente e está testando um produto de um laboratório francês. As capitais Porto Alegre e Curitiba foram escolhidas porque a epidemia de aids no Sul tem características específicas, com predominância de contágio por uso de drogas injetáveis. Por fim, Belo Horizonte entraria na rede porque já acompanha o comportamento de um grupo de soropositivos desde o início dos anos 90. Mas, segundo Brígido, o ministério deverá fazer pesquisas para saber que outras capitais teriam vantagens em receber centros de testagem de vacinas no futuro.

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