Brasil tem mais de 10% das crianças sem documentos

Entre 11% e 30% das crianças que nascem no Brasil por ano não são registradas. A informação é da Unicef (agência da ONU para a Infância), que publicou nesta terça-feira um relatório sobre a situação das crianças sem documentos no mundo. "Em um estágio mais adiantado de suas vidas, crianças sem registro podem não conseguir obter um passaporte, trabalho, abrir uma conta bancária, casar-se ou votar", afirma a Unicef. Segundo a organização, o caso brasileiro não é dos mais graves, já que, em todo o mundo, 50 milhões de pessoas nascem por ano sem serem registradas, o que corresponde a 41% de todos os nascimentos. Em 19 países, pelo menos 60% das crianças não são registradas ao nascer. Em Ruanda, mais de 80% das crianças não possuíam registros há 20 anos. Hoje, a situação não é diferente. Na China, as estimativas apontam que até 6 milhões de crianças não possuem documentos. Para a Unicef, uma das soluções para o problema seria garantir que o registro dos recém-nascidos se tornasse um serviço gratuito prestado por todos os governos. Outra medida necessária seria conscientizar a população da necessidade de registrar os recém-nascidos. Um exemplo é o da Índia, que estabeleceu uma campanha em 15 línguas, incluindo comerciais de televisão, anúncios nas rádios e documentários. Outro exemplo de sucesso é o caso de Angola, que vem tentando solucionar um problema causado pelos mais de 20 anos de guerra civil. Desde o ano passado, o governo angolano já conseguiu registrar 230 mil crianças.

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