Brasil tem 94,9% de crianças entre 7 e 14 anos na escola

Apesar de chegar a 2000 com quase 94,9% das crianças com idades entre 7 e 14 anos na escola, o Brasil tem dois graves problemas para enfrentar se quiser melhorar seus índices educacionais. Ele terá que aumentar as taxas de escolarização dos menores de 6 anos e reduzir o grande número de analfabetos funcionais, aqueles que têm até três anos de estudo. Nos dois quesitos, as taxas brasileiras ainda estão abaixo do desejado. No Censo 2000, o IBGE investigou a taxa de escolarização do grupo de 0 a 6 anos e mostrou que apenas 33,8 de cada 100 freqüentam escola ou creche. Na faixa de 0 a 3, o porcentual ainda é menor. Apenas 11,6% estavam sendo atendidas por algum tipo de instituição educativa. E, no grupo específico de crianças em idade da pré-escola (4 a 6 anos), apenas 62% delas estavam de fato freqüentando escola ou creche. "Hoje, nós sabemos que, quanto mais cedo a criança entra na escola, mais ela se desenvolve. Até a creche ajuda. Por isso, a taxa brasileira ainda é deficiente", afirma Dolores Kappel, técnica do IBGE.A novidade deste censo é que, pela primeira vez, o IBGE decidiu medir quantas crianças de 0 a 4 anos freqüentam salas de aula ou creches (17,8% do total) e acrescentar aos dados de outras faixas etárias. A introdução desta nova pergunta no questionário ocorreu exatamente porque o Ministério da Educação está preocupado em melhorar o atendimento a crianças nessa etapa. O outro problema brasileiro são os analfabetos funcionais. O censo mostra que a proporção de pessoas que não concluiu nem primeira parte do ensino fundamental corresponde a quase um terço da população com mais de 10 anos -31,2% dos brasileiros têm até 3 anos de estudo. "Esse número preocupa muito, principalmente quando olhamos para algumas regiões brasileiras", explica Kappel. Em alguns Estados, os analfabetos funcionais são a maioria da população. Os recordistas nesse índice preocupante são o Piauí (56,6%) e Maranhão (53,2%).Apesar disso, a avaliação dos técnicos do IBGE é de que houve muito avanço entre 1991 e 2000. A proporção das crianças de 7 a 14 anos na escola subiu de 79,5%, em 1991, para 94,9%. O principal aumento ocorreu na faixa 5 e 6 anos, que pulou de 37,2% para 71,9%. O censo mostra ainda que o crescimento de escolarização não ocorreu apenas em crianças. Houve elevação ainda que menor em todas as faixas etárias. "Pode parecer pequeno, mas é significativo o aumento da escolarização de pessoas com mais de 25 anos (subiu de 2,2% para 5,9%)", avalia Dolores. "Mostra que os adultos estão voltando para a escola."Outra nova pergunta incluída no Censo 2000 foi o levantamento dos freqüentadores da escola pública. Em 2000, a rede cobria 79% dos estudantes brasileiros. Apesar dessa predominância, a participação da escola pública varia muito dependendo do nível. Ela ainda está concentrada principalmente na educação básica, atingindo o maior porcentual (89%) no ensino fundamental, mas caindo para 29% no superior e 57,9% nos cursos de pós-graduação.

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