Brasil também quer ampliar entendimento sobre etanol

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve sugerir ao presidente americano, Barack Obama, uma ampliação do memorando de entendimento de biocombustíveis, assinado em março de 2007, para que os dois países promovam o uso do etanol e combatam o aquecimento global.Lula não deve pedir diretamente a redução da tarifa sobre o etanol brasileiro, o que depende do Congresso. Mas pode propor a ampliação do memorando para que o Brasil tenha acesso a uma cota livre de taxação, enquanto a tarifa em si não é rediscutida no Congresso em 2011.Obama já salientou a importância que dá à "segurança energética das Américas", assunto que deve discutir na Cúpula das Américas, entre 17 e 19 de abril, em Trinidad e Tobago. O presidente americano deve enfatizar no encontro com Lula a importância da colaboração hemisférica para a mudança climática.Brasil e EUA assinaram um memorando de entendimento que prevê maior colaboração para promover biocombustíveis e produção de etanol em terceiros países. Até agora, o efeito do memorando foi limitado.A indústria de etanol brasileira está de olho no mercado de créditos de carbono que será criado nos Estados Unidos . O sistema de "cap and trade" de créditos de carbono é uma das principais bandeiras de Obama e ele conta com a receita do mercado para financiar boa parte da reforma do sistema de saúde.A indústria brasileira quer colaboração binacional para que o etanol tenha um grande papel em relação à redução de emissões de poluentes e que se estabeleçam metodologias para que o uso de etanol seja contabilizado na redução de emissões.A indústria quer que os EUA adotem fórmula ou cota que dê maior previsibilidade ao fornecimento de etanol, que flutua muito a cada ano. Segundo Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), por mais que a economia esteja em crise e o consumo de combustível esteja em queda nos EUA, há um mandato de uso de etanol a ser cumprido e os americanos não darão conta, precisando de importação. Não se espera que Lula entre em muitos detalhes com Obama, uma vez que os dois só estarão juntos por 20 minutos - os ministros terão outros 40 minutos de encontros.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.