Brasil será o primeiro a assinar convenção contra o fumo

O Brasil será um dos primeiros países a assinar, na próxima segunda-feira em Genebra, a Convenção Internacional para o Controle do Tabaco. Mas apesar de ter uma lei exemplar de combate ao cigarro, as organizações internacionais denunciam o País por estar financiando as empresas de tabaco com recursos públicos e de praticar um dos preços mais baixos do mundo para o produto. Segundo um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) obtido pelo Estado, entre 2001 e 2002, o BNDES deu R$ 6 milhões às empresas do setor, que usaram os recursos para se modernizar e aumentar a produtividade. O resultado foi a possibilidade de colocar cigarros no mercado a um preço ainda menor. O estudo ainda mostra que governos estaduais, como os da Bahia e do Rio Grande do Sul, também deram incentivos ao setor. PreçoO outro ponto que deixará o Brasil em uma situação constrangedora é o do preço do cigarro. Segundo um documento da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é um dos países onde o cigarro tem um dos menores custos em todo o mundo. De acordo com um estudo da entidade, para que um brasileiro compre um pacote de cigarros precisaria trabalhar 50% a menos que para comprar um quilo de pão. Um Big Mac, por exemplo, custa o dobro que um pacote de cigarro. Em 2002, um pacote de um cigarro nacional custava o equivalente a US$ 0,80. Nos Estados Unidos, o cigarro nacional é vendido em média por US$ 3,60 e, na Inglaterra, por US$ 6,25. ImpostosPara assessores legais da OMS, ao assinar acordo na próxima segunda-feira, o Brasil acabará sendo obrigado a reformular suas práticas para que não viole o tratado internacional. Uma das medidas que o acordo prevê é que os países onde cigarros são vendidos a preços baixos incrementem os impostos sobre o produto.

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