Brasil sediará exercício militar internacional

Pela primeira vez, o Brasil vai ser a sede de manobras militares internacionais. Os oito ministros da defesa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa decidiram realizar as manobras Felino 2002 em Petrolina (PE), de 27 de outubro a 10 de novembro. "Representa um avanço na interoperabilidade das nossas forças, o que pode permitir à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, se assim o entender, intervir em missões humanitárias e de manutenção de paz, sempre sob a égide das Nações Unidas", explicou o ministro da Defesa de Portugal, Paulo Portas. Além de Brasil e Portugal, a comunidade reúne Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.Segundo o ministro da Defesa brasileiro, Geraldo Quintão, cada país vai enviar 12 comandos para o exercício. "Do lado brasileiro o número ainda não está estabelecido, porque o Brasil vai dar o suporte ao exercício. O Brasil vai oferecer mais". A escolha do local deve-se às duras condições da região. "Será um exercício realizado na caatinga, e eles querem que seja assim". Segundo Quintão, o custo do exercício deve ficar entre 2 e 3 milhões de reais, sem contar com as despesas de transporte dos militares até o Brasil, pagas pelos próprios países.O Felino 2002 é o terceiro exercício militar que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa organiza. No entanto, será o primeiro com a participação brasileira: nos exercícios de 2000 e 2001, realizados em Portugal, só foram enviados observadores. "Antes não havia um Ministério da Defesa. As forças eram independentes, o que tornava difícil criar um ambiente desses", explica Quintão. Em 2003, haverá um exercício apenas de postos de comando, sem tropa no terreno, que vai ocorrer em Moçambique.A reunião de Lisboa também decidiu um impulsionar Centro de Análise Estratégica da comunidade, com sede em Maputo, capital de Moçambique. Segundo Portas, o objetivo é "comparar doutrinas, partilhar informações, estudar e propor ações conjuntas, constituindo-se num centro de raciocínio estratégico dos oito países de língua portuguesa".

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