Brasil se une à estratégia contra obesidade da OMS

A decisão de o governo brasileiro apoiar a Estratégia Mundial contra Obesidade da Organização Mundial de Saúde (OMS) reduziu, mas não acabou, com a apreensão de especialistas brasileiros da área de nutrição. Eles temem que as propostas de alteração do texto feitas pela equipe brasileira possam tumultuar o processo de votação, a partir do dia 17, durante a Assembléia Mundial de Saúde.?Abre-se uma brecha para que novos pontos sejam discutidos e com isso, o texto, que consideramos bom, seja alterado?,afirmou a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, Valéria Guimarães. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, descarta esse risco. ?Há sete anos participo desses encontros e, em todos, pequenos tópicos são discutidos à exaustão. Isso faz parte do processo, sempre foi assim.? A estratégia da OMS contém propostas para tentar combater a crescente epidemia de obesidade, registrada tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento. Entre as recomendações estão a adoção de um cardápio com níveis adequados de gorduras totais, o aumento do exercício físico, o consumo moderado de açúcares livres, a redução de sal e o aumento do consumo de frutas, legumes e grãos. Em reunião feita anteontem, integrantes dos ministérios da Saúde, Agricultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e daFazenda decidiram apoiar o documento. Mas sugeriram uma alteração no texto, para evitar que a adoção desta estratégiafundamentasse, no futuro, ações protecionistas de governos. ?Usando como justificativa as recomendações, países poderiam, por exemplo, criar subsídios para frutas e verduras ou sobretaxas para importação de açúcar?, justificou Barbosa.A mudança atendeu interesses da área econômica, preocupada com uma possível repercussão negativa das recomendaçõespara as exportações de açúcar. ?Achei uma medida até interessante. Mas estranhei ser feita assim, em cima da hora?, afirmou a nutricionista Denise Coitinho, que assumirá, em junho, a direção do Departamento de Nutrição da OMS.Barbosa afirmou que, assim que o texto for aprovado na OMS, o País deve criar um grupo de estudos, para colocar em práticaas recomendações. ?Muitas delas, como o uso de sal iodado e a rotulagem de alimentos, já adotamos?, afirmou. Segundo ele, aprioridade será dada para ações de combate à obesidade infantil, que registra um aumento no País. ?Faremos uma avaliação da eficácia das medidas, antes de serem adotadas?, afirmou.

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