Brasil sairá da crise primeiro, diz Lula no Rio

'Mundo errou na dose de economia virtual', disse presidente no Fórum Econômico Mundial para América Latina.

Alessandra Corrêa, BBC

15 de abril de 2009 | 14h48

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o Brasil vai sair da crise primeiro que outros países.

"O Brasil entrou por último nesta crise, e vai sair primeiro e mais fortalecido", disse Lula na abertura do Fórum Econômico Mundial para a América Latina, realizado no Rio.

Segundo Lula, a América Latina enfrenta grandes desafios, mas tem um potencial "extraordinário" para superá-los.

"Momentos de crise devem ser usados para saltos globais", disse.

Lula, que participa nesta sexta-feira da Cúpula das Américas, em Trinidad e Tobago, disse que é importante que a cúpula "vire referência para discutir os problemas das Américas".

O presidente afirmou que a nova ordem mundial a ser construída a partir da superação da atual crise deve levar em conta a distribuição de renda.

Lula disse que está na hora de reconhecer que "o mundo contemporâneo errou na dose de economia virtual".

'Humildade'

O presidente afirmou que a reunião de líderes do G20, realizada no mês passado em Londres, foi a primeira em que "a humildade pairava no ar".

"Ninguém sabia de nada, ninguém era mais esperto do que o outro", disse.

Na reunião de Londres, os líderes do G20 chegaram a um acordo sobre a necessidade de reformas no sistema financeiro mundial e de injetar recursos no FMI, para que possa auxiliar os países mais pobres.

O presidente disse que o fato de o Brasil emprestar dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) é uma grande alegria.

Segundo Lula, na medida em que seus criadores têm problemas, o FMI tem que "mudar completamente".

"É preciso ir além das mudanças emergenciais", disse. "Não dá para postergar soluções profundas", acrescentou sobre as reformas nos organismos internacionais.

O presidente voltou a falar da importância de se proteger empregos estimular a produção, e disse que a estatização de bancos, mesmo que temporária, não deve ser descartada por preconceito ideológico.

O presidente também voltou a criticar o protecionismo como forma de enfrentar a crise. "O protecionismo é como uma droga, oferece alívio imediato, mas logo laça a vítima em profundo estado de depressão", disse.

Uribe

A abertura do Fórum Econômico Mundial para a América Latina também teve a presença do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

Durante dois dias, líderes e empresários de 37 países presentes ao encontro vão discutir os impactos da crise econômica mundial na América Latina.

Na abertura do evento, os organizadores reforçaram o tom de otimismo apesar da crise.

Segundo Marcelo Bahia Odebrecht, presidente do Grupo Odebrecht, tanto o governo como as empresas estão bem preparados para enfrentar a crise.

Odebrecht disse que a crise representa uma oportunidade de realizar reformas há muito necessárias e investimentos em infra-estrutura essenciais para o crescimento sustentável dos países.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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