Brasil registrou 4.216 transplantes no 1º semestre

Para muitos brasileiros, a única chance de continuar vivendo é o transplante de órgão. Mas a cirurgia só é possível se houver disposição das famílias para doar. Na primeira metade do ano, 4.216 transplantes de órgãos foram feitos no Brasil.Apesar de o País ser o segundo do mundo em número de transplantes feitos, perdendo só para os Estados Unidos, ainda há muita gente nas filas de espera. Só em São Paulo, 9.920 esperam por um rim.Durante toda esta semana, a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) faz uma campanha nacional para sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos.Vida nova é o que os transplantados ganham depois da cirurgia. E eles dizem isso com um sorriso largo no rosto. Desde os 3 anos, a adolescente Francielle Aparecida Gomes Flores, de 14 anos, sofria de insuficiência renal. Há três anos, ela estava na fila de espera do rim. Em abril, chegou sua vez: foi chamada para fazer o transplante.A infância de Francielle foi marcada por inchaços no corpo, muito cansaço e falta de ar. Com os rins funcionando cada vez menos, ela já estava fazendo sessões de hemodiálise - procedimento artificial de filtragem do sangue - há quase um ano. "Tinha muita dor de cabeça depois da sessão e passava mal", conta. "Isso atrapalhava na escola."Foi na diálise que Francielle conheceu Mônica Tomé Rissato, de 15 anos. Mônica também sofreu com a insuficiência renal durante os últimos três anos. No começo do mês, foi chamada para fazer o transplante. "Tudo muda. Não sinto mais cansaço. Tinha a pressão muito alta."Enquanto esperam a hora da consulta, as meninas se divertem na Associação de Pacientes Transplantados da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a poucos metros do ambulatório. Dançam, cantam e brincam, sem sentir nenhum cansaço. Não param um minuto. Só deram mesmo uma trégua para conversar com a reportagem. As duas receberam órgãos de doador morto.Já a dona de casa Derli Lucia Duarte, de 34 anos, também portadora de insuficiência renal, recebeu um novo rim de doador vivo. "Dei minha vez para outro que não tem doador vivo compatível", diz ela. O doador foi seu marido, o cobrador de ônibus Izael Gregório Duarte, de 41 anos. A cirurgia foi feita há pouco mais de um mês."A vida muda completamente e para melhor. Antes eu ia a festas de aniversário e não podia aproveitar, comer e beber com os outros. Agora, posso participar de tudo."Derli conviveu com a insuficiência renal por quatro anos. Antes de receber o diagnóstico, pensava estar com problema no coração.Pessoas saudáveis podem ser doadoras vivas em alguns casos: na doação de um dos rins, de parte do fígado e de parte da medula óssea, desde que sejam parentes até quarto grau ou cônjuges do paciente.Quem não é parente pode doar apenas com autorização judicial. O outro tipo de doador é paciente internado em unidade de terapia intensiva (UTI) com morte encefálica. A doação só pode ser feita se autorizada pela família."As pessoas devem conversar sobre o assunto com seus parentes, mostrando se desejam que seus órgãos sejam doados em caso de morte encefálica", aconselha o médico Luiz Arnaldo Szutan, presidente da Comissão de Transplantes da Santa Casa de São Paulo. Sua família, por exemplo, sabe que ele gostaria que seus órgãos fossem doados.Szutan explica que as famílias que se recusam a autorizar a doação de órgãos de um parente não acreditam no conceito de morte encefálica. "Mas o diagnóstico dessa situação é muito seguro e preciso."Outro problema que também emperra as doações é a desconfiança sobre a distribuição dos órgãos. Para essa dúvida, Szutan garante: "O critério de lista única é seguido com muita seriedade.

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