Brasil rechaça enfrentamento proposto por Chávez

O governo brasileiro rechaçou a proposta de enfrentamento com os países desenvolvidos, principalmente com os Estados Unidos, feita pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante a cerimônia de abertura da 12ª reunião do G-15 (grupo que reúne 19 países em desenvolvimento), em Caracas. ?Cada um tem a sua metáfora e a sua retórica. Não é um discurso de consenso", disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, uma hora e meia depois da fala de Chávez.Amorim comentou ainda duas propostas feitas pelo presidente venezuelano: a criação do Banco e da Universidade do Sul. "Isso pode até ser estudado. Mas não acho que seja uma coisa para 30 mil alunos, mas como as dos Estados Unidos, voltadas mais para a integração", afirmou Amorim. "E isso ainda depende de muitos estudos", disse ele. No discurso, e bem ao seu estilo, Chávez atacou a globalização e o neoliberalismo e falou das desigualdades do mundo. "Os países do Norte, com 15% da população mundial, concentram mais de 85% dos usurários de internet e controlam 97% das patentes". Disse ainda que a dívida dos países pobres não acaba nunca.Chávez fez de tudo para tirar proveito político da reunião do G-15, justamente num momento em que sofre pesada carga da oposição, que o acusa de preparar uma manobra para adiar até agosto o exame das assinaturas que permitirão convocar um plebiscito para a realização de eleições presidenciais. Se isso ocorrer, Chávez poderá renunciar para dar lugar ao vice-presidente, que completaria o mandado em 2006. Se o resultado saísse agora, teria de convocar as eleições. O que irrita a oposição é o dispositivo constitucional que permite a Chávez nomear o vice. Nesse caso, um homem de sua confiança completaria o mandato.

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