Brasil quer ser Arábia Saudita do biocombustível, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o interesse do Brasil em se transformar na "Arábia Saudita" do biocombustível, em entrevista publicada esta semana pela revista italiana Panorama.Às vésperas da visita de dois dias do primeiro-ministro italiano Romano Prodi ao Brasil, que começa segunda-feira, 26, o presidente prepara o terreno para discutir um possível intercâmbio entre a ENI - maior grupo italiano do setor de energia - e a Petrobras. O acordo resultaria na aplicação de projetos de exploração de biodiesel na África."Eu acho que o biodiesel pode avantajar também os países mais pobres do planeta, da América Central e Latina à África. Imagine que a Itália possa financiar um projeto desse tipo em um país africano e, depois, readquirir o combustível produzido, gerando novos postos de trabalho, salários e, portanto, uma melhoria na qualidade de vida", disse Lula à Panorama. O possível acordo foi mencionado pelo ministro italiano das Relações Exteriores, Massimo D´Alema, em mesa-redonda promovida na semana passada, com empresários e políticos da Itália. Segundo fontes, os países africanos interessados na iniciativa seriam Angola e Moçambique.Lula também comentou o interesse brasileiro em ampliar para US$ 10 milhões o intercambio comercial com a Itália, que hoje está em US$ 6,5 milhões. "Por isso é relevante que Prodi venha aqui com uma significativa delegação de empresários. Mas quero ir além e reforçar também as relações culturais e a cooperação cientifica" declarou.Questionado se havia se surpreendido com o fato de o presidente americano George W. Bush ter escolhido o Brasil para lançar uma mensagem de "justiça social", Lula respondeu:"A raça humana cresce e evolui no tempo e chega a dizer coisas que antes não dizia. Enfrentar hoje a questão social constitui a melhor arma para diminuir a violência e o terrorismo. Os Estados Unidos, como maior economia mundial, podem ter uma função decisiva. Eu disse ao presidente Bush que ninguém será capaz de apreciar a democracia se ela não for acompanhada de uma melhoria da qualidade de vida".Lula falou ainda sobre seu relacionamento com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Ele negou que o colega seja um aliado incomodo, confirmou os interesses econômicos no país vizinho e elogiou o fato de Chávez vender gasolina mais barata a países pobres. O presidente evitou comentar a extradição do ex-terrorista italiano Cesare Battisti, capturado recentemente no Rio de Janeiro. Segundo ele, este assunto cabe ao Supremo Tribunal Federal.

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