Brasil quer padronizar critérios para medir pobreza

O Brasil quer elaborar planos conjuntos com vários países latino-americanos e caribenhos para combater a pobreza na região. O primeiro passo será criar normas comuns para calcular o número de miseráveis em cada país. A partir disso, a idéia é elaborar projetos comuns de identificação dos mais pobres e atacar a exclusão social, com destaque para crianças e adolescentes. "É preciso que sejamos capazes de ter critérios de medidas da pobreza mais uniformes, que tornem as realidades de cada país comparáveis e passíveis de mudança", disse hoje o ministro da Previdência e Assistência Social, José Cechin, que presidiu a abertura do III Encontro de Ministros de Desenvolvimento Social da América Latina e Caribe, no Rio.Além de discutir a padronização da forma de medir a miséria, os ministros também falaram sobre o impacto da previdência na redução da pobreza e estratégias de alguns países para conter o problema, como a desenvolvida pelo governo do Rio. A governadora Benedita da Silva (PT), que participou do encontro, ressaltou a importância de políticas para diminuir o número de excluídos. "Conhecer as dificuldades que se acentuaram com a globalização e atacar a exclusão é uma questão estratégica para nós. Na nossa agenda, não vão faltar temas como a exclusão, a discriminação e a violência", disse ela.Em sua apresentação, Cechin falou sobre os benefícios da Previdência. "Hoje, o problema da miséria está concentrado nos jovens. Graças à Previdência, os velhos ainda são protegidos da pobreza", afirmou. O ministro ressaltou que, apesar de o problema continuar grande, houve redução do número de miseráveis nos últimos anos. "A expansão da Previdência e a estabilização econômica foram os principais condicionantes dessa diminuição."O representante da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil, Jorge Werthein, elogiou o encontro e afirmou acreditar que a troca de experiências entre os países vai ser muito produtiva. "Alguns países como o Brasil e o Chile têm projetos que funcionam muito bem e podem passar essas idéias para os outros", declarou. Segundo ele, as iniciativas brasileiras são boas, mas o caminho para reduzir os marginalizados ainda é muito longo. "O problema é que a dívida social brasileira é histórica e não se resolve imediatamente."O III Encontro de Ministros de Desenvolvimento Social é a continuação de duas reuniões realizadas no México, em 2001 e em maio deste ano. O encontro no Rio vai finalmente formalizar a estrutura oficial do foro de discussões. O Brasil foi escolhido para presidir essa etapa das negociações.

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