Brasil precisa regular a mídia, diz Dirceu

Ex-ministro se refere ao vazamento de troca de e-mails entre membros do STF no julgamento do mensalão

03 de setembro de 2007 | 10h10

Ao comentar o episódio do vazamento de pareceres de ministros do STF no julgamento sobre a aceitação de denúncia sobre o mensalão, o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, criticou a ação da imprensa. O jornal O Globo publicou fotos da troca de e-mails entre os ministros, o que teria levado um deles a dizer que o STF votou "com a faca no pescoço".   "Nós temos que regular a mídia no Brasil", exortou o ex-ministro em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes.   Segundo ele, o Brasil é um dos últimos países do mundo sem a regulação, que chegou a ser cogitada em projeto do governo, mas que acabou arquivado diante das críticas generalizadas que recebeu. "Essa discussão mais cedo ou mais tarde o Brasil vai ter que fazer."   Culpa   O segundo homem mais importante do primeiro mandato do presidente Lula disse que não há provas das acusações que estão sendo feitas contra ele - e já aceitas pelo STF - de formação de quadrilha e corrupção ativa. "O processo agora é que dirá se realmente houve o mensalão, se realmente eu era o chefe, se realmente eu pratiquei corrupção ativa, ou se eu formei quadrilha", sustentou o ex-ministro.   Ele procurou desqualificar as denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson contra ele: "A palavra do Roberto Jefferson é zero, não vale nada. Veja a história dele, os antecedentes dele", limitou-se a dizer. "Ou tem julgamento e se prova e prova material, conexão - no meu caso tem que ter nexo", salientou. "Não pode dizer que porque eu era o chefe da Casa Civil eu sou o responsável."   Sucessão   Ele negou ainda que tivesse arquitetado um projeto de poder, com esquema de arrecadação ilegal, para manter o PT no poder por 20 anos. "Não tem nada de projeto de poder antidemocrático, fora das leis republicanas do País", garantiu Dirceu.   Ele disse que lutou durante 22 anos para eleger o presidente Lula democraticamente. E admitiu que o PT pode vir a apoiar em 2010 um candidato de outro partido da coalizão para candidato à Presidência. "Agora nós queremos - como em todos os países do mundo - que suceda o Lula um candidato da base da coalizão, do PT ou não", ponderou. "O candidato vai ser o que tiver mais votos, o apoio do presidente e do maior número de partidos da coalizão", prosseguiu.   "Se o PT tiver um candidato assim ele tem o direito de reivindicar, até porque é o maior partido da coalizão."   Lula 2014   José Dirceu concordou que o Brasil poderá criar uma Constituição exclusiva para fazer uma nova reforma constitucional, mas negou a possibilidade de uma alteração ao estilo chavista, que permita manter o presidente Lula no governo. "É para depois de 2010, não tem nada a ver com a eleição presidencial, já vai ter um outro presidente", garantiu. "Pelo contrário, o PT defende o fim da reeleição."   Mas, sobre a possibilidade de o presidente Lula voltar a ser candidato em 2014: "É verossímil. É possível que o Lula possa vir a ser candidato em 2014", afirmou. Ressalvou, no entanto, que não conversou com o presidente sobre essa possibilidade. E arrematou: "O Chávez é o Chávez, o Lula é o Lula. São processos políticos e históricos diferentes".

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