Brasil precisa recuperar estrutura militar, diz Lula

Na Espanha, presidente nega que aumento dos investimentos nas Forças Armadas seja reação à Venezuela

Lisandra Paraguassú, enviada especial do Estadão, com agências,

16 de setembro de 2007 | 15h15

Em entrevista publicada pelo jornal espanhol El Pais neste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil deve investir em seu aparato militar para recuperar o setor do sucateamento a que foi sujeitado desde a década de 1970. Em visita ao país europeu, o presidente revelou ainda que o País comprará material bélico para suprir as deficiências para recomeçar a construir e aperfeiçoar usinas de armas e equipamento bélico. Lula ainda desmentiu o argumento de que o Brasil aumentou em 50% os seus investimentos no Exército por conta da Venezuela e a iniciativa do presidente Hugo Chávez de comprar submarinos e helicópteros de guerra da Rússia. Segundo o presidente brasileiro, o efetivo militar no País é pequeno, já que o número de convocados pelas Forças Armadas na reserva é o dobro do que está na ativa atualmente. "Nos anos 1970, tínhamos empresas modernas que produziam blindados. Porém, tudo isso foi desmantelado. O Brasil tem que retomar tudo o que já possuiu antes. Para voltar a construir nossas fábricas de material bélico, temos que comprar". Questionado sobre a sucessão do cargo em 2010, Lula disse que o Partido dos Trabalhadores ainda não tem nenhum nome para se candidatar ao cargo e revelou ainda que, após o final de seu mandato, ele não pretende se retirar da política. Porém, o presidente desconversou sobre uma possível candidatura em 2014.   Pela porta dos fundos   O segundo dia de visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à capital espanhola foi de folga para a comitiva presidencial. Enquanto o presidente fugia pela cozinha do hotel Westin Palace, onde está hospedado, para despistar a imprensa e visitar Segóvia, cidade histórica a 40 minutos de Madri, ministros e assessores passaram o dia em compras e visitas a museus.   Já no dia anterior, em conversa com os jornalistas, Lula havia dito que queria passear com dona Marisa longe das vistas da imprensa. Apesar disso, a sua própria assessoria tentou um acordo para que o presidente fosse acompanhado pelo menos em parte do dia, mas o presidente não aceitou.   Com os jornalistas esperando no saguão do hotel, Lula desceu por um elevador de serviço, usado por garçons, atravessou a cozinha e saiu pelos fundos do hotel, surpreendendo até os funcionários. O comentário é que a rota de fuga costuma ser usada por "grandes estrelas", como cantores e outros artistas, mas nunca haviam visto um político fazer uso do estratagema.   O presidente passou o dia fora. Saiu em torno de 11 horas da manhã e voltou apenas 16h30 da tarde. "Fui comer um leitãozinho" disse, ao chegar, além de perguntar aos repórteres por que eles não haviam ido também. Em Segóvia, cidade patrimônio histórico da humanidade, Lula visitou a fortaleza medieval de Alcázar, uma construção com castelos e muralhas construídas entre os séculos XII e XVI, acompanhado de dona Marisa, do embaixador do Brasil na Espanha, José Viegas e de sua esposa, Érika. A fortaleza foi fechada para que fizessem a visita.   Depois, o presidente caminhou cerca de um quilômetro foi comer o "leitãozinho" no restaurante Mesón de Candido, o mais tradicional da cidade, funcionando desde 1905. No caminho, foi reconhecido e cumprimentado por brasileiros que estavam lá.   Ministros    Enquanto Lula passeava, os ministros se dividiram. A ministra do Turismo, Marta Suplicy, foi sozinha ao museu Rainha Sofia, onde ficou até cerca de 13h30. Ao ver que estava sendo fotografada, irritou-se. "Vocês perdem o presidente e agora a vítima sou eu?", reclamou. Chegou ao hotel pouco depois do presidente.   A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que chegou no sábado à Espanha, saiu com o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Os dois foram ao museu Rainha Sofia e também ao Museu do Prado, que fica em frente ao hotel da comitiva. Bateram pernas atrás de um restaurante, já que muitos estavam lotados. Marco Aurélio chegou a contar que tentou dar uma carteirada, mas não teve êxito.   Marta Suplicy, ministra do Turismo, foi a única a utilizar um carro com motorista para sair. Os demais ministros preferiram caminhar. Outros assessores e membros da comitiva também foram passear e chegaram no final da tarde carregados de sacolas.   Texto alterado às 16h48 para acréscimo de informações.

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