Brasil precisa falar alto com o FMI, diz Dom Majella

O presidente da CNBB cardeal-arcebispo Dom Geraldo Majella Agnelo lamentou que os sucessivos recordes de arrecadação de impostos e superávits primário obtidos pelo governo federal não tenham nenhum reflexo para a melhoria de vida do povo brasileiro. "A arrecadação está lá no alto, enquanto não há um tostão para a parte social", comentou se referindo ao superavit primário equivalente a 5,76% do Produto Interno Bruto registrado no primeiro semestre do ano, recursos usados para o pagamento de juros da dívida pública."Será que o FMI é tão cego que só quer ver dinheiro e não quer ver o bem de nenhum povo do mundo?", indagou o cardeal, questionando avalidade da estratégia do governo de "arranjar dinheiro de todos os meios para pagar a dívida". Na visão do presidente da CNBB o Brasil deveria seguir a conduta da Argentina ao tratar com o Fundo Monetário Internacional. "Os argentinos falaram alto e conseguiram (diminuir as parcelas da dívida). E por quê o Brasil não pode falar alto também?".No ano passado Dom Geraldo havia alertado o governo que a situação econômica do País pode provocar uma revolução social. Comparou até auma "panela de pressão" prestes a explodir se não forem tomadas medidas para amenizar o quadro de miséria. "A panela continua esquentando; é que o nosso povo não é feito para a guerra e sim para a paz", disse.Ele também criticou a postura do político brasileiro que se preocupa mais em se perpetuar no poder que melhorar as condições de vida do povoe citou a tentativa do Senado de mudar a lei de iniciativa popular que permite o afastamento imediato de prefeitos suspeitos de corrupção."Não se faz de tudo para acabar com leis desse tipo? Por quê? É mais fácil subjugar ignorantes, do que alguém com consciência formada", reclamou.

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