Brasil precisa enfrentar com força o racismo, diz Lula

Depois de entregar o título de terra para nove representantes de comunidades quilombolas, na manhã desta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil precisa enfrentar o racismo "com unhas e dentes". Apesar do País raramente admitir oficialmente a existência do racismo, o presidente defendeu a política de cotas e as políticas públicas de compensação da população negra. "É preciso que a gente pare com essa bobagem de ter medo de enfrentar o racismo. Temos que enfrentá-lo com unhas e dentes porque racismo e preconceito, na minha opinião, são duas doenças que não são apenas recicláveis, elas têm que ser abolidas", discursou o presidente. Na cerimônia, feita para comemorar o dia nacional da consciência negra, Lula entregou a nove representantes de comunidades quilombolas os títulos definitivos de posse da terra e recebeu uma cesta de presentes formada por produtos plantados nos quilombos."Somente com enfrentamento e somente com o Estado tendo coragem de enfrentar a diversidade, não tendo nenhuma preocupação de dizer que vai garantir que mais meninas e meninos negros têm que entrar na universidade, de que é preciso as pessoas terem oportunidade de ter a mesma qualidade de salário que tem um branco que trabalha na mesma função, e oportunidade de garantir que as crianças possam, na escola, ter o mesmo nível de ensino que as outras", disse o presidente. CotasNos últimos tempos, o governo tem dado sinais contraditórios em relação às políticas de cotas para negros. Há alguns meses, o governo retirou o apoio tácito ao estatuto da igualdade racial, uma lei de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) que criava cotas para negros no serviço público e nas universidades e incentivos para contratação em empresas privadas. A posição oficial do governo passou a ser a de defesa de cotas sociais, relacionais à renda e não simplesmente à raça. Mas, eventualmente - especialmente em eventos como o desta terça - Lula defende as ações afirmativas. "Trezentos anos (tempo que durou a escravidão) é um genocídio de muitas e muitas guerras que aconteceram na humanidade", afirmou. "Então é preciso não apenas um gesto, é preciso muitos gestos e muita política pública para que a gente não leve 300 anos para reparar o mal que foi feito aos negros nesse mundo. Eu acho que nós estamos apenas começando", afirmou o presidente.

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