Brasil precisa de submarino nuclear para proteger petróleo, diz Jobim

Ministro afirma que compras de equipamentos no exterior devem seguir o critério de transferência de tecnologia

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

A descoberta de uma megarreserva de petróleo e gás na Bacia de Santos reforça a necessidade de o Brasil aumentar e melhorar a sua capacidade de defesa e proteção contra a invasão de outros países e até de atos terroristas. Foi o que afirmou ontem o ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante a abertura de um evento internacional de segurança, realizado no Rio de Janeiro. Veja especial sobre a nova jazidaPara o ministro, o anúncio da megajazida Tupi - que elevará em mais de 50% as reservas do Brasil - feito no último dia 8 pela Petrobrás evidencia a necessidade de o País ter um submarino nuclear para proteger o campo recém-descoberto. "Para nós, é importante que esse fato do descobrimento aguça mais a necessidade de termos autonomia de produzir no Brasil (energia nuclear), fechando o ciclo do enriquecimento do urânio para a produção de propulsores", afirmou Jobim. "Não para a área de guerra, de bomba atômica. Essas coisas são bobagem", completou o ministro da Defesa, na 4ª Conferência do Forte de Copacabana Segurança internacional: um diálogo Europa-América do Sul. O ministro da Defesa de Portugal, Nuno Severiano Teixeira, também presente ao evento, defendeu o aparelhamento das Forças Armadas brasileiras para que o País possa ser um dos protagonistas na garantia da segurança e paz internacional. "Naturalmente que suas Forças Armadas precisam do equipamento para o exercício da soberania, mas precisam também para produzir segurança internacional no quadro das parcerias que podem vir a desenvolver com outros atores, com a União Européia e com outros em prol da estabilidade e da paz internacional", afirmou Teixeira, também presidente do conselho de ministros de Defesa da União Européia.Jobim afirmou que as próximas compras de equipamentos para as Forças Armadas no exterior devem seguir o critério de transferência de tecnologia. Nesse sentido, relatou que o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, está em uma missão internacional para tratar desse tema. Segundo Jobim, Mangabeira já esteve na Índia, na Rússia e atualmente está na França. Em janeiro, os dois ministros pretendem visitar os Estados Unidos. PLANO ESTRATÉGICODe acordo com Jobim, é necessário o desenvolvimento de um plano estratégico de defesa nacional que não tenha viés expansionista. Ele lembrou do acordo fechado em junho, em Lisboa, pelo qual o Brasil e a União Européia se propõem a discutir de forma bilateral políticas e estratégias de defesa.Uma iniciativa similar também está em desenvolvimento entre os países de língua portuguesa. "Temos uma reunião de ministros da Defesa da comunidade de língua portuguesa em junho do ano que vem. Antes disso, evidentemente que haverá conversas bilaterais para começarmos a pensar também num entendimento que passe nessa comunidade, principalmente na África, quanto à troca de formulações de conceitos de defesa que sejam comuns à comunidade", afirmou Jobim. FRASENelson JobimMinistro da Defesa"Para nós, é importante que esse fato do descobrimento aguça mais a necessidade de termos autonomia de produzir no Brasil (energia nuclear), fechando o ciclo do enriquecimento do urânio para a produção de propulsores"

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