'Brasil precisa de opção que resgate a esperança', diz Campos

Presidenciável exaltou decisão de Marina de se aliar ao PSB e afirmou que a Rede e seu partido estão de acordo no que é 'fundamental'

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2013 | 15h27

O presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, disse nesta segunda-feira, 7, que a aliança com a ex-senadora Marina Silva só foi possível por causa de um "gesto de grande largueza política, de grande compreensão" por parte da idealizadora da Rede Sustentabilidade, partido que teve seu registro negado pela Justiça Eleitoral na quinta-feira. No sábado, Marina anunciou sua filiação e apoio à pretensão de Campos de disputar a Presidência em 2014.

"Essa construção só é possível porque Marina teve um gesto de grande largueza política, de grande compreensão", afirmou Campos aos jornalistas, em Recife. "Ela viu ao longe, viu um movimento que a política tradicional não enxergava e construiu o mais forte ato político dos últimos anos da política brasileira que vai ter grande reflexo sobre 2014."

O governador citou sua ligação com Marina desde os tempos em que ambos eram ministros do governo Lula. "Temos relação de proximidade na política do Acre desde que Marina começou a militar junto com companheiros do PSB. Temos pessoas ligadas à Rede que trabalham conosco, sempre tive posição clara em relação à criação da Rede", disse. "Nossa identidade é desejarmos construir uma nova política no Brasil."

Na entrevista, o governador foi questionado sobre temas que têm aceitação no PSB, como a união entre homossexuais e a legalização do aborto, mas enfrentam resistência pessoal por parte de Marina. Campos reconheceu que PSB e Rede têm diferenças, assim como ele próprio e a ex-senadora, mas afirmou que haverá "aprendizado" entre as partes dessa "coligação programática". "Reconhecemos diferenças que temos, tanto que somos dois partidos. Um que tem 60 anos e um que tem um ano, recém-criado, que busca novos valores que tem na sociedade", afirmou. "Para o PSB é muito importante essa convivência com a Rede para que a gente aprenda com a militância da Rede, para que a gente renove o nosso partido. Também para a Rede acredito que vamos ter contribuição a dar nesse aprendizado."

Para Campos, a Rede e o PSB estão de acordo no que é "fundamental". "O Brasil merece ter uma opção que resgate a esperança, a leveza na política, o compromisso com o povo, a excelência da gestão, da participação popular, dos valores da ética, da sustentabilidade que é sem sombra de dúvida uma releitura do socialismo e é o que vamos fazer com muita tranquilidade", disse o governador. "A questão meramente eleitoral a esta altura está completamente secundarizada. Será consequência do conteúdo. Quanto mais fizermos bem o debate de conteúdo sintonizados com os valores que nós representamos na vida pública brasileira hoje, mais o eleitoral vai vir. Não tenho a menor dúvida disso."

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