Brasil poupa a camada de ozônio, mas desmatamento continua

O Brasil reduziu significativamente o consumo de gases destruidores da camada de ozônio (entre eles os CFCs) e teve sucesso em aumentar as áreas de proteção ambiental na década de 90. Mas não conseguiu conter o desflorestamento na região Amazônica - o País continuou perdendo uma média de 18,4 mil quilômetros quadrados da floresta por ano, entre 1992 e 1999.É o que mostra o relatório sobre desenvolvimento sustentável, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 50 indicadores reunidos no documento, 18 tratam do meio ambiente. A pesquisa ressalta, no entanto, que ainda "há lacunas importantes", como a falta de dados sobre recursos hídricos, uso e qualidade de água, erosão e perda de solo e emissão de gases que colaboram para o efeito estufa.Um dos mais importantes resultados é o que revela que, entre 1997 e 2000, caiu o consumo de todas as substâncias destruidoras da camada de ozônio, passando de 18,8 toneladas/ano para 8,5 toneladas/ano. Uma redução maior do que a meta traçada pelo Protocolo de Montreal (assinado pelo Brasil em 1987), estabelecendo que, em 1999, o consumo fosse reduzido à metade do total de 1986. A meta foi ultrapassada em 2000. Outro indicador importante e positivo foi o que mede o total de unidades de conservação ambiental (parques e reservas). Em 1990, eram 197 unidades (93, de proteção integral). Chegaram a 230 em 2000 (103 protegidas integralmente). Em 2002, a área total sob proteção ambiental do governo federal chegou a 448,3 mil quilômetros quadrados. Apesar desses avanços, o Brasil não teve sucesso em barrar a destruição da maior floresta tropical do mundo. Entre 1992 e 1999, o País perdeu uma média de 18,6 mil quilômetros quadrados, por ano, de vegetação na Floresta Amazônica. Em 1999, o acumulado de região desflorestada chegava a 569,3 mil quilômetros quadrados de um total de 3,7 milhões quilômetros quadrados. A taxa de desmatamento anual (o porcentual de área destruída em relação à área de floresta remanescente) também subiu. Em 1992, esse índice era de 0,4 e pulou para 0,5 em 1999. Se esse ritmo se mantiver, a floresta estará completamente destruída em 200 anos, avisa o IBGE. "Esse ritmo da destruição assusta porque é muito forte. Se nada for feito, essa taxa indica que um dia a floresta acaba. Temos que achar usos mais sustentáveis da floresta", alerta Flávio Bolliger, assessor do Departamento de Geociências do IBGE. Há ainda indicadores que confirmam a destruição. O documento revela que cresce o número de incêndios nas matas. Em 1998, o Brasil teve 107 mil focos de fogo, contra 145 mil em 2001. E a região com mais queimadas é a Norte, com 48 mil focos de fogo no ano passado. Nordeste e Centro-Oeste vêm em seguida. Para o diretor de Geociências do IBGE, Guido Gelli, a destruição da floresta não pode ser entendida apenas como um problema ambiental, e esse relatório sobre desenvolvimento sustentável ajuda a mostrar as condições econômicas e sociais das populações que moram nessa região, e que acabam levando ao desmatamento. "É muito importante cruzar essas informações para entender por que a destruição acontece", declarou.O desflorestamento, aponta o relatório, não acontece apenas na floresta. Mata Atlântica e a vegetação das regiões litorâneas também foram muito destruídas. Em 1995, ano do último levantamento, restavam ao Brasil apenas 70,5 mil quilômetros quadrados de Mata Atlântica, cinco mil a menos do que em 1990 - indicando a velocidade do desmatamento na década. O Estado líder em destruição nesse tipo de vegetação foi o Rio (13,2%), seguido do Mato Grosso do Sul (9,6%) e Minas Gerais (7,3%). O mesmo ocorreu com a vegetação litorânea. Os manguezais perderam 8,5% de sua área e as restingas, 16,3%.Rubens Born, representante do Fórum das ONGs na Comissão da Agenda 21 brasileira, concorda que é muito preocupante a velocidade da destruição da floresta, mas elogia o relatório do IBGE. "Acho muito importante que o Brasil tenha um documento reunindo todos os índices, porque ele passará a servir de parâmetro para que, no futuro, a gente possa comparar com novos estudos e saber se as políticas ambientais dos governos nacionais e estaduais estão funcionando", afirmou.

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