Brasil poderá negociar cota de etanol com EUA, diz Furlan

O Brasil poderá negociar com os Estados Unidos uma determinada cota de exportações do etanol brasileiro para aquele país, livre de impostos, "para ajudar" no desafio lançado pelo presidente George W. Bush para o aumento do consumo de etanol no mercado americano, segundo adiantou nesta sexta-feira, 2, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Segundo o ministro, o etanol estará em destaque na pauta da conversa que acontecerá entre Bush e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a visita do presidente americano ao Brasil no próximo dia 8. Em entrevista após participação em evento sobre tecnologia no Rio, Furlan explicou que o governo brasileiro vem conversando com o presidente Bush sobre o etanol desde 2003 e lembrou que, atualmente, metade das exportações brasileiras do produto vai para o mercado americano. Segundo Furlan, o etanol brasileiro poderia abastecer especialmente a costa leste americana. Ele disse que o governo do Brasil não tem uma meta de exportações para o etanol, já que o "grande mercado" para o produto é o doméstico.Furlan não acredita que uma decisão sobre cotas de exportações do etanol brasileiro para os EUA ocorra na semana que vem, já que Lula estará nos Estados Unidos dentro de um mês, quando as conversas em torno do assunto deverão prosseguir. The EconomistA revista The Economist na edição publicada na última quinta-feira destaca que apesar de o governo americano ter anunciado a meta de fazer com que a participação do etanol cresça para 130 bilhões de litros na matriz energética do país, Bush "não tentou remover a tarifa de 54 centavos de dólar que a América impõe no etanol importado, em favor do lobby poderoso dos seus fazendeiros?.A publicação britânica avalia ainda que a passagem de Bush pela América Latina - que ainda incluirá Uruguai, Colômbia, Guatemala e México - tem como objetivo enfrentar a influência do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no continente. Até mesmo a ?diplomacia do etanol? estaria relacionada com o que a Economist chama de ?batalha regional pela influência? da região. ?Apesar de a meta principal de Bush ser independência energética, ele provavelmente preferiria ser dependente do etanol de países amigáveis, como Brasil e Colômbia, do que do petróleo de lugares hostis, como Irã e Venezuela?, diz a reportagem. No editorial Sr. Bush viaja ao Sul, a revista afirma que Bush não deveria falar sobre a Venezuela durante sua viagem, e se concentrar em assuntos importantes para a região, como etanol no Brasil, narcotráfico na Colômbia e imigração no México.

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