Brasil pode ter livro branco de Defesa

O Brasil poderá ter o seu Livro Branco de Defesa, a exemplo de países como a Argentina, Chile, Portugal e Espanha. Utilizado inicialmente pelos países europeus, os livros brancos de defesa têm por objetivo informar interna e externamente qual é a política de defesa adotada pelo país, fazer avaliações de conjunturas estratégicas mundial e regional, falar da estruturação das Forças Armadas, da formação de pessoal e das questões de recursos para a defesa. O livro é considerado uma das medidas de reforço de confiança mútua em relação às nações amigas. A proposta do Ministério da Defesa de elaboração do livro branco brasileiro está prevista no documento "Modernização do Sistema de Defesa Nacional", que se encontra sob avaliação do ministro Geraldo Quintão e que, posteriormente, será aprovado pelo presidente Fernando Henrique. Segundo o diplomata José Luiz Machado da Costa, que fez a proposta, depois de ouvir diversos segmentos da sociedade, o livro branco também será fruto de discussão e receberá contribuição dos meios militares e acadêmicos. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, considerou boa a proposta e lembrou que o primeiro plano nacional de defesa, aprovado em 1996 pelo governo, foi uma espécie de livro branco. "Nada ali era sigiloso e o objetivo era demonstrar o que seria feito, para que todos os interessados no tema pudessem saber que o País pensa e quer", declarou. O general Cardoso considera natural que se adapte a política nacional de defesa em vigor à nova realidade mundial, principalmente depois dos atentados de 11 de setembro. O general não vê problema em incluir o tema terrorismo na política de defesa, ao contrário do que pensam alguns militares. "A política de defesa tem de fazer face a todas as ameaças existentes ao País. Se o terror é uma ameaça, como está comprovado que é a todos os países, tem de estar incluído na política de defesa", completou Cardoso. PublicidadeAlém de servir para reforço da transparência do Brasil em relação aos demais países, o livro branco vai tratar da estrutura de defesa da nação. Mas o Ministério da Defesa acha que poderá funcionar como um meio eficiente de persuadir a opinião pública nacional e outros setores sobre a necessidade e a importância em contar com um aparato militar moderno e operacionalmente capaz. O livro poderá ter uma espécie de efeito publicitário, benéfico não só ao Ministério, como às Forças Armadas, conforme avaliou o conselheiro José Luiz. O livro deverá, ainda, ter um enfoque didático e, naturalmente, não trará nenhum tipo de informação confidencial que possa causar qualquer embaraço ao governo ou ao País. Por isso mesmo, a proposta é de que ele seja claro, com programação editorial e gráfica de qualidade, além de contar ainda com contribuições de diversos segmentos da sociedade que serão consultados para dar mais legitimidade à publicação.

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