Brasil pode perder vaga na Unesco

Indecisão na indicação do nome para diretor-geral ameaça planos do País, considerado favorito ao posto

Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

07 de fevereiro de 2009 | 00h00

Os debates para a eleição do novo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) já estão abertos e o Brasil, apesar de se dizer interessado, pode perder uma vaga dada até agora como certa. Com dois nomes - o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-ministro da Educação, e o atual vice da instituição, o engenheiro Márcio Barbosa -, a candidatura do Brasil é vista com simpatia por vários países. Em tese, essa seria a vez de a América Latina indicar o dirigente da ONU. No entanto, a indecisão brasileira pode custar o posto.O País tem até maio para indicar o candidato. Mas, até agora ainda não tomou posição clara. E o que poderia ser uma eleição fácil começa a tomar contornos de disputas. Enquanto o governo brasileiro hesita em apresentar claramente um candidato, países de língua árabe se mobilizam. Apesar de não serem considerados uma região - parte está na África e outra, na Ásia -, os países árabes dizem que não se identificam com nenhum dos dois e reivindicam o direito de ter um candidato. Seguindo o exemplo dos árabes, países do Leste Europeu decidiram que também não são representados pela Europa. Três candidatos já apareceram: as embaixadoras Irina Bokova, da Bulgária, e Ina Marciulionyte, da Lituânia, e o ex-chanceler argelino Mohamed Bedjaoui, apresentado pelo Camboja. No Conselho da ONU - o órgão que vai escolher o futuro dirigente, em outubro deste ano -, o que se diz é que, caso o Brasil se apresente e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faça algum esforço, a eleição estaria garantida. Já derrotado em escolhas para seis entidades internacionais, incluindo a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o governo não quer apostar para perder. No fim de julho de 2008, ao encontrar Márcio Barbosa em Lisboa para a Cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o presidente Lula tocou no tema com o atual vice da Unesco e teria comentado: "Mas desta vez é para ganhar, não é?". Essa seria a razão de o governo estar mais inclinado a indicar Barbosa, que já está no órgão, e não Cristovam, apesar de o nome do senador ter apelo internacional.Em maio do ano passado, um grupo formado, entre outros, pelo ex-diretor-geral da Unesco Federico Mayor e o ex-presidente português Mario Soares lançou o nome de Cristovam para o cargo. Desde então, Lula já conversou duas vezes com o senador sobre o tema, mas nada foi adiante. "O presidente me perguntou se esse ?assunto da Unesco era para valer?. Eu respondi que se tivesse o apoio dessa grande instituição que é o presidente Lula, eu toparia", disse o senador. Por enquanto, o governo se mantém em cima do muro. Não deverá assumir uma candidatura própria nem apoiar ninguém até as vésperas do prazo final, em maio.

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