Brasil pode participar do Projeto Galileu com a UE

O governo brasileiro estuda a possibilidade de participar do programa europeu de desenvolvimento de um sistemaglobal de rastreamento por por satélite ? o Projeto Galileu, previsto para entrar em operação em 2008. O convite foi feito pelo comissário de Relações Exteriores da União Européia, Chris Patten, que esteve em Brasília no início da semana para uma série de encontros com autoridades brasileiras, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.O assunto está sendo analisado pelos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores. A participação no projeto europeupoderia ser uma alternativa ao Global Positioning System (GPS), sistema americano de rastreamento do qual o Brasil é um dosusuários. Ontem, o Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex) confirmou o interesse no assunto. ?A redução dadependência tecnológica é aspecto fundamental da adoção desse novo sistema, desde que consideradas as adequações doequipamento atualmente em uso e os aspectos orçamentários?, informou o Cecomsex. Um sistema de rastreamento por satélites permite a localização exata, em segundos, de qualquer ponto na superfície terrestre.Ele é extremamente útil não apenas do ponto de vista militar. O sistema tem aplicações práticas também na área civil, emcampos que vão da navegação aérea e marítima até a pesca, controle do meio ambiente e agricultura. Por ser de origem militar, no entanto, o GPS americano tem um inconveniente: em tempos de guerra, o acesso a ele pode ser interrompido, o que jáocorreu, por exemplo, durante a Guerra do Golfo, em 1991. O Galileu poderá ter uso militar, mas será voltado basicamente para fins civis.?O Exército Brasileiro não dispõe de sistema alternativo ao GPS. Seu bloqueio traria transtornos no que diz respeito à precisão eà rapidez no cumprimento de atividades nas quais esse sistema é importante?, informou o Cecomsex. Nessa questão, o Exércitotem uma precupação especial no que se refere à defesa da Amazônia. A Força utiliza atualmente o GPS nas áreas de navegação terrestre e aérea, levantamento geodésico, reconhecimento oepracional, avaliações operacionais de armamento e munição, sistemas de controle e direção de tiro e operações de busca e salvamento. Mas a eventual participação brasileira no Projeto Galileu não seria apenas a de mais um cliente do sistema. Conforme dissePatten na segunda-feira, depois de se reunir no Itamaraty com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, dada aextensão territorial, o Brasil poderia ter interesse em dar colaboração financeira, científica e tecnológica ao projeto, assim como China, a Índia e Israel. "Nós gostaríamos de conversar sobre a possibilidade de o Brasil participar em várias áreas, como as de pesquisa, detreinamento, de participação financeira e de cooperação técnica", afirmou o comissário.O ministro da Defesa, José Viegas, com quem Patten também se reuniu, disse que o Brasil tem capacidade de fornecer?contribuição tecnológica e industrial? ao projeto. (Colaborou Denise Chrispim Marin

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