Brasil pode exportar genéricos, diz especialista

Os genéricos brasileiros podem ser exportados para qualquer lugar do mundo. A afirmação é do médico e professor-doutor de Tecnologia Farmacêutica da Universidade de Coimbra, Portugal, Francisco Veiga. Ele proferiu palestra hoje no simpósio de Bioequivalência, durante o 12º Congresso Paulista de Farmacêuticos, o 4º Seminário Internacional de Farmacêuticos e a Expofar, que acontecem simultaneamente, até domingo na Fecap (avenida Liberdade, 532), em São Paulo (SP).Francisco Veiga disse que a qualidade do produto brasileiro é condizente com a exigida internacionalmente, porque a legislação local foi feita com base nos critérios europeus e americanos de fabricação e controle de qualidade. A bioequivalência e a biodisponibilidade são testes feitos em medicamentos genéricos, que verificam se sua eficiência é igual à das drogas originais, ou de referência.Os medicamentos de referência ou originais, por sua vez, são pesquisados, desenvolvidos e produzidos por grandes laboratórios e indústrias de biotecnologia, que geralmente não fabricam os genéricos. Uma vez vencida a patente dos medicamentos de referência, laboratórios menores ou divisões das grandes indústrias do segmento podem reproduzi-los na forma de genéricos, que chegam à população com preço cerca de 40% mais baixo do que os de marca ou referência.Preço e mercadoO médico afirmou que existe muito espaço para os genéricos brasileiros na Europa. "O preço desses medicamentos oferecidos pelo Brasil será muito atraente para o mercado europeu", explicou. De acordo com um levantamento feito em 1996 sobre o mercado europeu de genéricos, as vendas em Portugal representavam apenas 2,9% da receita dos medicamentos em geral, e na Espanha, 1,3%."O consumo continua baixo porque os médicos temem que o genérico não seja tão eficiente como o de referência", explicou. O Brasil dispõe de quase 400 moléculas ativas registradas para a produção de genéricos. Ou seja, praticamente a maior parte dos medicamentos de referência cujas patentes foram quebradas possuem genéricos no País, e em diversas apresentações.No Brasil, onde a comercialização dos genéricos foi iniciada em abril do ano passado, eles já representam 3,3% das vendas totais de medicamentos - que no ano passado somaram US$ 7,5 bilhões. Na Espanha e em Portugal, os genéricos foram introduzidos no início dos anos 90.Já na Alemanha e na Inglaterra, onde as vendas começaram na década de 80, a fatia dos genéricos representavam 16,1% e 10,8%, respectivamente, em 1996. Os Estados Unidos foram os pioneiros na produção e vendas de genéricos, na década de 70.

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