Brasil pode acionar bancos de pele de outros países para atender vítimas de Santa Maria

Ministro da Saúde afirma que contactou colegas do Peru, da Argentina e do Uruguai.

Caio Quero, BBC

28 de janeiro de 2013 | 08h57

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou na manhã desta segunda-feira que o Brasil já está em contato com bancos de pele de outros países para poder garantir o atendimento a vítimas do incêndio que deixou 231 mortos em uma boate em Santa Maria no domingo.

De acordo com o ministro já foram contactados bancos de pele dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, mas, para atender à demanda dos pacientes mais material pode ser necessário.

"Já fiz contato com meus colegas, ministros da Argentina, Uruguai e Peru... Se for necessário, podemos trazer pele destes bancos", disse Padilha em uma entrevista coletiva no centro desportivo, onde os corpos de algumas das vítimas continuam sendo velados.

Ao todo, 121 vítimas continuam internadas, sendo 82 em hospitais de Santa Maria e 39 em outras cidades, incluindo Porto Alegre.

Destes, 79 estão em estado grave e respiram com ajuda de aparelhos.

Apesar dos número alto de pacientes em estado grave, não foi registrada mais nenhuma morte entre as vítimas do incêndio nesta madrugada.

"A grande maioria sofreu intoxicação respiratória e 20% (das vítimas está) com grandes queimaduras", afirmou o ministro.

Intoxicação

Um dia depois da tragédia, uma das grandes preocupações do médicos é com as pessoas que estiveram no local e que podem desenvolver quadros respiratórios graves, mesmo não tendo ficado feridas.

De acordo com o ministro da Saúde, um quadro de tosse e falta de ar pode evoluir para uma pneumonite química em poucos dias, devido à inalação da fumaça tóxica.

"No início da noite de ontem, tivemos cinco pacientes que não haviam sofrido nada e tiveram que ser internados com quadro de pneumonite química."

Ao todo, cerca de 300 pessoas passaram pelos hospitais de Santa Maria desde o incêndio.

O atendimento às famílias das vítimas vem sendo feito com 20 equipes de suporte psicológico.

Nesta segunda-feira, estes grupos devem visitar familiares das vítimas em hospitais e velórios. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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