Brasil perde US$ 2,5 bi por ano sem eficiência energética, diz Bird

Consumo de energia deve dobrar no país até 2030, segundo organismo.

Da BBC Brasil, BBC

28 de fevereiro de 2008 | 09h55

O Brasil poderia economizar cerca de US$ 2,5 bilhões por ano se usasse todo seu potencial de eficiência energética, afirma um estudo do Banco Mundial (Bird), divulgado nesta quinta-feira.Atualmente o Brasil é o 10º maior consumidor mundial de energia, mas seu consumo deve dobrar até 2030, segundo o estudo. Se a eficiência energética não melhorar no país, isso poderá trazer conseqüências para o ambiente, já que o consumo de energia está associado a uma alta da emissão dos chamados gases causadores do efeito estufa.No livro Financiando a Eficiência Energética: Lições do Brasil, China, Índia e Além, lançado na quarta-feira, o Banco Mundial analisa as demandas nos três países, entre outros, além das soluções já encontradas e as dificuldades para se estabelecer programas de eficiência energética.Segundo Todd Johnson, especialista em eficiência energética no Brasil do Banco Mundial, o país apresenta desafios. "As taxas de juros são altas. É difícil pedir empréstimos. Os bancos agora não investem em eficiência energética - eles estão focados em linhas de negócios já testadas".O problema, segundo o Banco Mundial, é que a maior parte dos programas de eficiência energética de pequeno e médio porte não conseguem financiamento no país.Catástrofe ambientalSegundo a Agência Internacional de Energia, a eficiência energética é a forma mais rápida e mais barata de evitar a catástrofe ambiental que pode ser causada pelo aumento no consumo mundial de energia, principalmente entre os países em desenvolvimento.O livro afirma que melhorias em equipamentos já existentes poderiam reduzir o uso de energia nesses países em pelo menos 25%, e tecnologias avançadas poderiam reduzir o crescimento da demanda de energia até 2030 em pelo menos 10%, além de reduzir a previsão do aumento das emissões de CO2 em 16%."Nós dissecamos o terreno da eficiência energética neste estudo para descobrir por que é tão difícil oferecer os incentivos certos para que haja maior investimento", disse o economista Robert Taylor, um dos autores do livro e especialista em energia do Banco Mundial."O que descobrimos foi um enorme potencial não usado - especialmente no Brasil, China e Índia - mas várias boas soluções que podem funcionar desde que haja financiamento e investimento, além do compromisso dos responsáveis pelas políticas dos países."Taylor afirma que, nos três países, as autoridades e o setor financeiro conhecem o potencial de eficiência energética, mas como os benefícios e o retorno financeiro não são imediatos, o investimento não está entre as prioridades.Mas Taylor afirma: "Sou um otimista. Tenho a esperança de que os três países vão apresentar novas idéias e soluções que poderão ser aprendidas pelo resto do mundo." Juntos, Brasil, Índia e China respondem por 40% da população mundial e por muito mais da metade do consumo de energia dos países em desenvolvimento. Até 2030, eles devem ser responsáveis pelo aumento de 42% da demanda mundial de energia.O livro conclui que, na China, um setor de eficiência energética comercialmente viável está emergindo após uma década de forte apoio do governo; na Índia, novos programas de empréstimos bancários para financiar projetos em algumas indústrias de pequeno e médio porte estão prontos para se expandir, e, no Brasil, um fundo para eficiência energética arrecadado entre as empresas de energia garante uma plataforma para melhorias.Segundo o livro, a eficiência energética nesses países é crítica "por razões da segurança no fornecimento de energia, competitividade econômica, melhoria de vida e sustentabilidade ambiental".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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