'Brasil perde um de seus melhores advogados', diz ex-ministro

'Brasil perde um de seus melhores advogados', diz ex-ministro

Titular da Justiça no governo FHC, José Carlos Dias destaca atuação de Márcio Thomaz Bastos; colegas de profissão e autoridades lamentam a morte de criminalista

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2014 | 09h49

São Paulo - Para autoridades e colegas de profissão, a morte do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos representa a perda de um dos principais nomes da advocacia brasileira. O advogado criminalista morreu na manhã desta quinta-feira, 20, aos 79 anos.

Abaixo, a repercussão da morte do ex-ministro:

Vice-presidente Michel Temer:

“O Brasil perde um grande advogado, uma figura exemplar e símbolo da advocacia brasileira. E perde também um homem público de qualidades inegáveis. Eu sei o quanto ele fez pela defesa dos direitos humanos, pela defesa do Estado de Direito e pela democracia no nosso país. Perdemos todos. Perco o amigo. Perdem, os brasileiros, um grande homem público."

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado:

"O Brasil perdeu na manhã de hoje um de seus mais ilustres advogados, Marcio Thomaz Bastos, que por mais de 50 anos exerceu com brilhantismo e dedicação o ofício da advocacia. Ex-ministro da Justiça, criminalista, Thomaz Bastos enalteceu nossas mais altas Cortes de Justiça pela paixão com quem defendia suas teses. Desde muito cedo participou de movimentos populares, foi fundador do movimento Ação pela Cidadania, atuou com firmeza na acusação dos assassinos do ambientalista Chico Mendes. Sem dúvida, perdemos hoje um grande cidadão, um expoente do Direito brasileiro."

Deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara:

“A advocacia brasileira perde um de seus maiores expoentes. Seu trabalho jurídico e político, no entanto, permanece como uma bússola indispensável para todos nós. Desde sua participação no Movimentos Diretas-Já, como presidente da OAB de São Paulo, passando por sua atuação no Ministério da Justiça entre 2003 e 2007, até sua ações em movimentos pelo voto consciente dos eleitores, pela transparência no financiamento das campanhas e pelo direito amplo de defesa e acesso à Justiça de todos os cidadãos, Márcio Thomaz Bastos, se tornou um símbolo da advocacia cidadã."

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça:

"Lembrado com carinho e admiração pelos funcionários desta Casa, Márcio Thomaz Bastos seguirá como exemplo de competência, integridade e espírito público. (...) [Thomaz Bastos] mostrou-se um defensor intransigente da democracia e dos direitos humanos, participando do movimento das Diretas Já e da fundação da Ação pela Cidadania."

José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso:

"São Paulo e o Brasil perderam um dos seus maiores advogados. Eu me recordo que quando Márcio me contou que acabara de ser convidado pelo Lula para ser ministro da Justiça eu disse a ele: 'O Brasil vai ter um grande advogado a defendê-lo'."

Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil:

“A vida de Bastos foi marcada pela coragem e competência com que se dedicou a suas causas. Além de presidente da OAB-SP, quando participou do movimento pelas Diretas Já, destaco a atuação de Bastos como ministro da Justiça do governo Lula, na reestruturação da Polícia Federal, na aprovação do Estatuto do Desarmamento e na homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.”

Celso Vilardi, advogado (atuava com Thomaz Bastos na coordenação da defesa das empreiteiras citadas na Lava Jato):

"Eu perdi um dos meus melhores amigos, a advocacia perdeu um dos melhores advogados de todos os tempos. E o Brasil perdeu uma de suas melhores cabeças."

Marta Suplicy, senadora (PT-SP):

"Marcio Thomaz Bastos deixa um legado de competência, coragem e exemplo de lealdade ao amigos. Um homem de ideias progressistas, serenidade e bom senso. Como ministro da Justiça e presidente da OAB mostrou espírito público. Meus sentimentos à Leonor. Marcio fará falta a todos nós."

Antonio Cláudio Maris de Oliveira, ex-presidente da OAB-SP:

"A advocacia perdeu um advogado que sempre demonstrou profundo e acendrado amor pela profissão. Provoca um vazio muito grande no momento em que palavras fortes em defesa da advocacia deveriam ser ouvidas."

Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB):

"Márcio será sempre inspiração para a defesa do estado de direito, dos valores constitucionais e dos fundamentos de uma sociedade civilizada. Um brasileiro exemplar, um advogado correto, um jurista de escol, um homem de família, um amigo e conselheiro. O luto institucional se soma a tristeza pessoal pela irreparável perda deste inigualável presidente de sempre do Conselho Federal da OAB."

Marcos da Costa, presidente da OAB-SP:

"A Advocacia brasileira perde um de seus ícones, um dos mais importantes e produtivos advogados criminalistas de sua geração, que patrocinou grandes causas e foi um tribuno de escol. Também foi um democrata na acepção máxima da palavra, tendo tido uma vigorosa atuação na Assembleia Nacional Constituinte, na OAB e ao longo de sua vida pública, sempre buscando assegurar as garantias do direito de defesa, raiz de todos os demais direitos do cidadão."

Ministro Luís Inácio Adams, advogado-geral da União:

"A morte de Márcio Thomaz entristece a todos nós que com ele conviveram. Homem íntegro, leal e agregador, foi essencial à Justiça e ao País. Perdemos o homem, mas tivemos o privilégio de testemunharmos em primeira mão o exemplo e as conquistas de Márcio Thomaz Bastos."

Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal:

"Márcio Thomaz Bastos se destacou tanto na vida pública e privada pela sua competência singular, tendo intermediado com extrema sabedoria e felicidade conflitos na arena jurídica sem perder a sua grande característica de ser combativo defensor de seus constituintes."

Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal:

"[Thomaz Bastos] foi um homem que serviu dignamente ao direito, tanto na atividade privada como na vida pública. (...) Foi, também, um ministro da Justiça exemplar, por sua competência e isenção. (...) Inovações como a criação do Conselho Nacional de Justiça, a autonomia da Defensoria Pública e a repercussão geral no STF só viraram realidade em razão do seu empenho e habilidade."

Augusto de Arruda Botelho, presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD):

"O ex-ministro da Justiça foi um ícone da Advocacia e uma figura que engrandeceu sobremaneira nosso Estado Democrático de Direito, contribuindo para o aprimoramento de uma sociedade mais justa. Ele deixa um legado inestimável para o fortalecimento das instituições e de respeito aos direitos humanos."

Emidio de Souza, presidente Estadual PT-SP:

"O Brasil perde com a morte de Marcio Thomaz Bastos não apenas um grande advogado e jurista, mas também um grande defensor do Estado Democrático de Direito. Meus profundos sentimentos a seus familiares neste momento de tristeza. Ele fará muita falta."

Rui Falcão, presidente nacional do PT:

"O Partido dos Trabalhadores está enlutado pela morte de Márcio Thomaz Bastos. O Brasil deixa de conviver hoje não apenas com um de seus maiores juristas, mas com um grande militante da democracia, do estado de direito e dos direitos humanos. (...) Como homem público, no cargo de ministro da Justiça do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Thomaz Bastos liderou transformações históricas para o nosso país. Especialmente no fortalecimento da Polícia Federal, no combate à lavagem de dinheiro, na campanha do desarmamento, na construção de presídios federais, na criação Força Nacional de Segurança, na cooperação jurídica internacional para recuperação de ativos ilícitos, e na criação do Conselho Nacional de Justiça."

Edinho Silva, deputado estadual (PT-SP):

"Certamente, perdemos hoje um dos maiores profissionais do Direito do nosso país e também um grande homem. Figura conhecida pela sua coragem, retidão e pelo compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, mais democrática, marcada pela defesa do estado de direito. Como ministro do governo Lula, cumpriu importante papel no combate ao crime e na garantia da autonomia da Polícia Federal.  Marcio Thomaz Bastos deixa um legado importante para a história do nosso país. Aos familiares e amigos toda minha solidariedade neste momento de dor."

Luiz Claudio Mariz de Oliveira, advogado:

"Perco um companheiro de 40 anos. A amizade durava até hoje, não obstante tenhamos tido embates profissionais no júri. A lacuna deixada por ele é impreenchível."

Antonio Carlos de Almeida Castro (Kakay), advogado:

"Admirava o tanto que ele sabia ouvir. Ele captava a alma dos clientes."

Aloysio Nunes Ferreira, senador (PSDB-SP):

"Era um homem sedutor, inteligente, brilhante. Um bom amigo que vai fazer muita falta", disse o senador ao chegar na Assembleia Legistativa, onde ocorre o velório. O tucano elogiou a carreira jurídica de Bastos.

"Foi um dos grandes advogados da história do Brasil. Defensor intransigente de seus clientes, sem nunca se afastar da ética"

 

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