Brasil perde R$ 100 bilhões por ano com corrupção

O Brasil perde anualmente pelo menos R$ 100 bilhões em corrupção nas esferas federal, estadual e municipal dos três poderes. O número assusta, porque é 11 vezes superior aos R$ 9 bilhões previstos no Orçamento-Geral da União para investimentos no ano que vem. Mas são reais, garante a organização não-governamental Transparência Internacional, que mede a corrupção em mais de uma centena de países, e está assessorando a Câmara dos Deputados na organização de um seminário sobre fiscalização e controle, que será feito a partir do dia 21.Do seminário vão participar o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio de Mello, a corregedora-geral da União, Anadyr de Mendonça Rodrigues, o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, parlamentares e pessoas que, por seu trabalho, já estiveram envolvidas no combate à corrupção. Terminado o seminário, a Câmara dos Deputados tentará centralizar as informações sobre todas as atividades de fiscalização no País.Assim como os números da corrupção podem assustar, também pode parecer estranho a Câmara, uma das Casas do Poder Legislativo, estar à frente da organização de um sistema que permita identificar mais facilmente os locais onde a corrupção ocorre, para tornar possível o combate ao mal. Mas a Câmara decidiu chamar a tarefa para si. Tanto é que está investindo R$ 60 milhões em um programa de informatização que servirá para consulta a todos governos, órgãos de investigação, assembléias legislativas e câmaras municipais.O seminário foi proposto pelos deputados João Magno (PT-MG) e Orlando Desconsi (PT-RS), ao presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, Wellington Dias (PT-PI). Dias procurou Aécio Neves, que decidiu envolver a presidência da Câmara nas formas de se buscar saídas para o combate à corrupção.A Câmara vai criar as regras para um plano nacional de fiscalização e controle, à semelhança de programas nacionais como os que cuidam, por exemplo, do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Previdência - há tentáculos desses órgãos em quase todos os municípios, mas todos obedecem a uma só legislação. Assim deverá ser com o sistema nacional de fiscalização e controle."Esse sistema permitirá o intercâmbio entre todos os órgãos que cuidam das informações e do combate à corrupção, a partir de consultas on-line a um programa que será alimentado pela Câmara", disse o deputado Wellington Dias. Assim, um conselheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o Tribunal de Contas da União (TCU) ou o Ministério Público de qualquer instância poderão trocar informações a respeito de suspeitas de corrupção em qualquer lugar do Brasil."Com o plano nacional e com a troca de informações que o sistema possibilitará, serão evitados os vários atos de fiscalização hoje comuns quando se investiga um fato", afirmou Dias. Assim, todos ganharão tempo e as investigações poderão ser aceleradas. Além da ligação com todas as assembléias e câmaras municipais, o sistema será estendido também para as escolas. Depois da Câmara dos Deputados, o Ministério do Planejamento e o Poder Judiciário também deverão criar redes semelhantes, todas interligadas.Wellington Dias afirmou que pelas informações da Transparência Internacional, o maior foco de corrupção é o Poder Executivo. Mas todos os poderes acabam sendo vítimas. Há queixas contra o Congresso. Muitos prefeitos costumam procurar a Comissão de Fiscalização e Controle para dizer que por vezes se transformam em vítimas de parlamentares que, para liberar recursos do orçamento, os obrigam a assinar a autorização da obra com uma empresa previamente escolhida pelo político.

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