Brasil perde posições e cai para 105º lugar em ranking mundial de liberdade de imprensa

Levantamento da ONG Repórteres Sem Fronteiras aponta ataques de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro a jornalistas

Caio Rinaldi, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2019 | 12h15

Na mesma semana em que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a retirada do ar de reportagens sobre o presidente da corte, Dias Toffoli, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou o ranking de liberdade de imprensa de 2019. Na edição deste ano, o Brasil perdeu três posições e agora ocupa o 105ª lugar entre os 180 que compõem a lista.

"No Brasil, desde a campanha eleitoral, a imprensa se tornou alvo para os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, tanto nas redes sociais quanto durante as coberturas", aponta a ONG. Entre os vizinhos sulamericanos, apenas Bolívia (113), Colômbia (129) e Venezuela (148) têm condições piores de trabalho para jornalistas que o Brasil.

A entidade ressalta o clima mais hostil no mundo à prática jornalística neste ano. "A hostilidade contra os jornalistas, e até mesmo o ódio transmitido em muitos países por lideranças políticas, resultou em atos de violência mais graves e frequentes, que aumentam os riscos e, como resultado, geram um nível de medo inédito em determinados lugares", argumentou a ONG.

"O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança sua atividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam seu controle sobre os meios de comunicação", afirmou a RSF. Apenas 24% dos 180 países na pesquisa oferecem condições boas ou relativamente boas de trabalho aos profissionais da imprensa. No ranking de 2018, a parcela chegava a 26%.

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