Brasil participará de pesquisa contra tuberculose

O Brasil vai fazer parte das pesquisas de um consórcio financiado pela fundação Bill e Melinda Gates. O grupo vai investir US$ 45 milhões no desenvolvimento de formas mais eficientes para tratar a tuberculose, uma das principais doenças associadas à Aids. O anúncio foi feito ontem, na 15.ª Conferência Internacional de Aids, em Bangcoc. Pacientes HIV positivo receberão Terapia Preventiva com Isoniazid (IPT, na sigla em inglês), um antibiótico que pode ser usado antes de a doença se desenvolver. O Brasil foi escolhido junto com Zâmbia e África do Sul para os estudos, que deverão ser feitos durante os próximos sete anos. No caso brasileiro, participarão pacientes do Rio, HIV positivo e também infectados pelo bacilo da tuberculose. Eles receberão o tratamento junto com o coquetel de anti-retrovirais. De acordo com dados do Ministério da Saúde usados pelo estudo, o uso do coquetel diminui o número de mortes relacionadas à Aids e à tuberculose em conjunto, mas não teve impacto no número de casos de tuberculose apenas. O que o estudo, chamado Create, quer descobrir agora é se o uso da nova forma de tratamento pode ajudar na redução dos casos de tuberculose. O Brasil ainda enfrenta problemas de controle da doença. Em 2002, estavam registradas 93,8 mil casos da doença. Entre pessoas com Aids, eram 7,9 mil. A incidência no País ainda é alta. São Paulo tem o terceiro maior índice do País, com 55 casos por 100 mil habitantes. Fica atrás apenas do Amazonas (83,2 por 100 mil) e da Bahia (63,6 por 100 mil). A média brasileira era de 41 casos por 100 mil habitantes. Tratamento e mortesApesar do tratamento da tuberculose estar disponível há cinco décadas, cerca de 1,6 milhão de pessoas morrem todos os anos no mundo por causa da tuberculose, um quarto delas entre pessoas com o vírus HIV. Cerca de 14 milhões de pessoas no mundo têm a doença, 70% delas da África Subsaariana. As dificuldades de detecção da doença em diversos países e de disponibilidade de medicamentos - que devem ser tomados por seis meses para garantir o sucesso - transformaram a tuberculose em mais uma epidemia do século 21.

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