Brasil não vive crise de corrupção nem tem intocáveis, diz Dilma

Brasil não vive crise de corrupção nem tem intocáveis, diz Dilma

Em entrevista concedida ao jornal chileno 'El Mercurio', presidente comenta sobre denúncias de corrupção na Petrobrás

Ricardo Chapola, O Estado de S.Paulo - atualizado às 18h30

21 de dezembro de 2014 | 14h51

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff afirmou em entrevista concedida neste domingo, 21, ao jornal chileno El Mercurio, do Grupo de Diários América (GDA), que o País não vive uma crise de corrupção. A declaração de Dilma foi dada como resposta a uma pergunta sobre efeitos políticos do esquema de desvio de dinheiro da Petrobrás em seu segundo mandato. O caso é investigado pela Polícia Federal desde março, no âmbito da Operação Lava Jato. Ao defender mais uma vez a punição dos responsáveis pelo esquema, Dilma afirmou que “não há intocáveis” no Brasil. 


“O Brasil não vive uma crise de corrupção, como afirmam alguns. Nos últimos anos começamos a por fim a um largo período de impunidade. É um grande avanço para a democracia brasileira”, disse a presidente em entrevista ao jornal. “No Brasil não há intocáveis. Qualquer um que não trate o dinheiro público com seriedade e honestidade deve pagar por isso. É um compromisso do meu governo”.


A presidente manifestou indignação com relação às denúncias de corrupção na estatal e voltou a prometer punição dos responsáveis pelo prejuízo de R$ 10 bilhões aos cofres públicos estimados pelos investigadores. “Minha indignação com as denúncias que envolvem a Petrobrás é a mesma que sentem os brasileiros. E quero, como todos eles, que os culpados sejam punidos”, afirmou ela. 


Perguntada sobre como foi liderar uma “campanha séria” anticorrupção sendo filiada ao partido que um dos protagonistas do caso da Petrobrás, Dilma afirmou que o esquema começou a operar na estatal antes de o PT chegar à Presidência da República, em 2002. “Essas investigações têm levado ao desmantelamento de um esquema que é suspeito de ter décadas de existência, antes dos governos do PT”, disse a presidente. 

Ela voltou a afirmar ter demitido o então diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, um dos principais delatores do esquema de corrupção na estatal. “Eu mesma demiti, três anos antes das investigações, o diretor que confessou para a Justiça a existência de um esquema de desvio de dinheiro na Petrobrás”, disse na entrevista.

O caso interferiu diretamente no planejamento de Dilma na reta final de seu primeiro mandato. A presidente foi obrigada a prorrogar a reforma ministerial depois de o Estado revelar, na semana passada, uma lista com nomes de 28 políticos citados por Paulo Roberto Costa à Polícia Federal. Segundo o ex-diretor, as pessoas citadas por ele à PF são supostos beneficiários do esquema de corrupção na Petrobrás. 


Antes cotado para assumir algum cargo no primeiro escalão de Dilma, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) deve ser a primeira vítima da “lupa” da presidente. 

Cuba. Na entrevista ao jornal chileno, Dilma também comentou sobre a retomada das relações diplomáticas entre Cuba e os EUA. “Isso terá um impacto forte e positivo para toda a América. Uma expressão de que isso já poderá se constatar na Cúpula das Américas, em abril, no Panamá. O encontro e o aperto de mãos de (Raul) Castro e (Barack) Obama será o símbolo de que algo novo está ocorrendo no nosso continente”, afirmou a presidente, ao destacar que o significado histórico da decisão tomada na semana passada. 

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