Brasil não deve satisfação aos EUA no campo nuclear, afirma ministro

O ministro da Ciências e Tecnologia Eduardo Campos disse hoje que o Brasil só deve explicações do seu programa nuclear a organismos como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), rejeitando a interferência dos EUA no assunto. "Somos participantes e temos obrigações financeiras anuais com a AIEA; os Estados Unidos tem uma relação política-comercial com o Brasil, sabe do propósito pacifico do programa nuclear brasileiro", disse. Ele afirmou não saber as razões dos temores do governo norte-americano em relação ao programa nuclear brasileiro.Campos confirmou a reunião com o secretario de energia dos Estados Unidos, Spencer Abraham, no dia 19, informando que o evento foi marcado com antecedência pela embaixada norte-americana, mas não soube informar o assunto a ser tratado. "Nossa atitude é de completa transparência, estamos tranqüilos do que estamos fazendo", disse. Ele informou que a tecnologia desenvolvida no País é para enriquecer o urânio a 4,99% e não a 99%, o que poderia ser usado para a fabricação de bombas atômicas. O ministro disse que o Brasil gasta anualmente US$ 12 milhões para o enriquecimento do urânio na Europa antes de usá-lo nas usinas nucleares de Angra dos Reis e por essa razão houve a decisão de enriquecer o material no Brasil. "Se houver recursos para o nosso projeto de enriquecimento, em 2008 é que nós estaremos abastecendo as nossas usinas, mesmo assim dependendo para completar o ciclo do enriquecimento do Canadá", disse.Sobre as negociações do acordo para as inspeções da AIEA nas instalações de Resende (RJ), Campos disse haver só uma pendência com a agência: se as centrifugas (usadas no processo de enriquecimento) terão acesso visual. "A tecnologia de centrifugação é conhecida em todo o mundo, mas o Brasil, o Japão, a Alemanha, a Inglaterra e a Holanda desenvolveram um método de centrifugação gasosa e nós estamos à frente desses países", disse. Segundo ele, o Brasil constrói centrífugas que permite ter uma produtividade de 30% a mais do que todos as outras. "É esse patrimônio gerado pela inteligência brasileira, que queremos defender", disse.

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