Brasil não cumprirá exigências da Declaração do Milênio

O Brasil dificilmente conseguirá cumprirtodas as exigências contidas na Declaração do Milênio de 2000, que estabelece metas econômicas e sociais para 189países-membros das Nações Unidas até 2015. Apesar de estar avançado em indicadores como alfabetização, mortalidade infantil e direitos da mulher, o País está atrasado no saneamento e desigualdade entre pobres e ricos, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).O instituto faz parte de um grupo que vai municiar a Casa Civil de dados que o governo brasileiro apresentará, no segundo semestre, numa reunião preparatória do projeto, na ONU. Em 2000, os países definiram oito grandes metas com 18 objetivos, que vão desde o combate da Aids e meio-ambiente até erradicação da ?pobreza extrema? e redução da mortalidade infantil. A comparação será entre a situação dos países em 1990 e 2015.Os objetivos vão ser acompanhados por 48 indicadores sócio-econômicos. O IBGE conseguiu montar 16 que podem servir de parâmetro. ?Vimos o que era possível fazer com nossas fontes de informações, para fazer indicadores correlatos (como referência para as metas)?, comentou a chefe da divisão de dados sociais do IBGE, Ana Lúcia Sabóia. Outros órgãos do governo fornecerão indicadores específicos das suas áreas.Uma das metas prevê redução pela metade da população sem acesso ao saneamento básico. Entre 1992 e 1999, contudo, apopulação que não tinha tratamento sanitário caiu de 52% para apenas 47,5%. Os técnicos do instituto reconhecem que,mantido este ritmo, esta parte da meta não será cumprida. No caso da erradicação da pobreza, o IBGE não tem, ainda, o dadoespecífico da linha da pobreza, que deverá sair até o fim do ano.Mas os dados disponíveis de concentração de renda praticamente não variou na última década, lembrou ontem Ana Lúcia. ?A participação dos mais pobres ainda é muito pequena?, ressaltou. Em 2002, os 50% mais pobres da população detinham quase a mesma fatia do total de rendimentos da fatia de 1% dos mais ricos, em torno de 14%. O diretor da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Renato Baumann, concorda que não houve evolução significativa na desigualdade de renda no País.De positivo, o País alcançou em 2002 a taxa de 96,3% de jovens com idades entre 15 e 24 anos alfabetizados. Além disso, no Brasil as mulheres já têm mesmo acesso que homens à educação: são 102 alfabetizadas para cada grupo de 100 homens. ?A razão é mais alta em favor das mulheres?, diz a coordenadora do IBGE. Já a taxa de mortalidade infantil por mil habitantes caiu de 47,4 para 29,7 entre 1990 e 2000. Se o quadro se mantiver, deverá ser reduzida a dois terços do que era na década passada, conforme objetivo do documento.

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