Brasil não cabe na polarização PT-PSDB de SP, diz Ciro Gomes

Deputado deu a entender que sua provável candidatura pode representar um avanço no projeto político do PT

Elder Oligari, de O Estado de S. Paulo,

14 de abril de 2009 | 18h25

O deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) disse que o Brasil não cabe na polarização reciprocamente desejada entre o PT e o PSDB de São Paulo e deu a entender que sua provável candidatura à presidência da República pode representar um avanço no mesmo campo do projeto político liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A análise foi feita nesta terça-feira, 14, durante rápida passagem por Porto Alegre, na qual Ciro proferiu palestra sobre a crise financeira a agricultores, prefeitos e militantes do seu partido e do PCdoB, na sede da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag).

Ciro avaliou, ainda, que a ex-senadora Heloisa Helena (PSOL), pode se tornar o estuário de uma imensa corrente de pensamento que tem simpatia pelo governo Lula, mas que quer mudanças e refuta a radicalização em torno de tucanos e petistas. "Na média, o PT e o PSDB são bons partidos, têm acumulado boa representatividade, bom padrão de decência e lucidez política", elogiou, para, em seguida, fazer a ressalva que ambos, quando chegaram ao poder, fizeram alianças com o Brasil do passado e da fisiologia a pretexto de conquistar a governabilidade. "Nessa radicalização só quem não sai do poder é o Brasil do passado, da fisiologia", criticou.

 

Embora tenha destacado que se sente "absolutamente estimulado a explicar as contradições do governo Lula", colocando-se como alternativa para levar adiante o mesmo projeto, Ciro tratou de apontar algumas diferenças, deixando transparecer que elas podem estar em seu possível discurso eleitoral. O deputado federal admitiu se sentir "incomodado" pelas alianças do PT com "uma certa fração do PMDB" e criticou aumentos da taxa de juros quando a crise financeira internacional já havia começado, no ano passado. "Olhando o futuro do Brasil não temos concordância completa com o PT não", afirmou. "Só porque somos solidários na sustentação do governo Lula não quer dizer que tenhamos de apoiar o PT".

 

Mesmo avaliando a todo instante que o País "está melhorando" com a administração Lula, Ciro tratou de apresentar como metas futuras a serem perseguidas pelo País o aumento da poupança interna, a substituição de importações, a ampliação da infraestrutura e a redução de custos e da burocracia, melhorias dos indicadores sociais, como educação, saúde e segurança pública e nova estratégia tributária, com distribuição mais adequada da carga e simplificação do sistema.

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