Brasil melhora combate a contrabando e drogas nos portos

Apesar da presença de produtos piratase drogas nas ruas do Brasil, o país está melhorando afiscalização contra o contrabando e o narcotráfico em seusportos. De uísque paraguaio falsificado a cocaína colombiana, quasetudo passa pelos 13 mil quilômetros de fronteiras do Brasil,por terra, de barco ou avião. A Etco, entidade que promove aética empresarial, estima que o governo deixe de arrecadarbilhões de reais a cada ano devido ao contrabando. Mas só recentemente o país começou a combater o contrabandoem contêineres, veículo para a maior parte do comérciointernacional e foco das autoridades envolvidas no combate aoterrorismo e ao narcotráfico no mundo todo. "Nunca vi a Receita Federal tão determinada quanto agora acombater o contrabando", disse Synésio Batista da Costa,diretor da Abrinq, entidade que reúne os fabricantes debrinquedos. Melhores equipamentos, investigações mais aprofundadas euma parceria com a Abrinq reduziram a participação docontrabando no mercado de brinquedos de 25 para 8 por cento,segundo Costa. O sistema alfandegário do país passou muito tempo sendoconsiderado corrupto e lento. Muitos estrangeiros eimportadores se queixam da perda ou de atrasos em embarques, etambém da cobrança de impostos e sobretaxas inexplicáveis. Mas isso começou a mudar graças à pressão de entidadesempresariais e da profissionalização das alfândegas, segundoespecialistas. "A corrupção é uma questão importante, mas houveimportantes avanços", disse Giovanni Quaglia, diretor regionaldo Escritório da ONU contra Drogas e Crimes. A alfândega recentemente recebeu dois helicópteros e 11lanchas para a vigilância de fronteiras e a inspeção de naviosancorados. Agora, os funcionários recebem a documentação dosnavios com 48 horas de antecipação, e não mais no desembarque,o que permite a verificação de eventuais notas e guias falsas. Mesmo assim, as autoridades podem estar descobrindo apenasa ponta do iceberg. A Receita inspeciona apenas 2 a 4 por centodos contêineres, algo dentro da média mundial. Mas só sãoencontradas irregularidades em 10 a 15 por cento doscontêineres, enquanto a meta para 2011 é 60 por cento. Em agosto, a Receita Federal lançou uma licitação para acompra de 37 novos scanners para contêineres, que ajudam adetectar paredes falsas e mercadorias ocultas. Também serãocomprados scanners móveis para uso em estradas. Hoje, só há dois scanners ultrapassados no porto de Santos,o maior da América Latina, com movimento anual de 80 milhões detoneladas de carga. Sob um acordo a ser assinado em breve entre o Brasil e aONU, os agentes alfandegários serão treinados para selecionaros contêineres mais suspeitos, disse Ketil Ottersen,coordenador-sênior de segurança do Escritório de Combate aDrogas e Crimes, durante visita nesta semana ao país. Ele disse ser impossível estimar a quantidade de drogasretirada do Brasil em contêineres, mas apreensões feitas naÁfrica e Europa sugerem que o país é uma rota importante notráfico. "O Brasil é um grande país de trânsito de drogas. Trata-sede uma luta internacional, e é importante que o Brasilparticipe", afirmou.

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