Brasil foi tomado por um 'patrimonialismo selvagem', critica Serra

'Acho que nem na República Velha, que era um regime oligárquico, tinha um patrimonialismo selvagem como o de hoje'

Carolina Freitas / SÃO PAULO - Agência Estado

21 Maio 2010 | 22h21

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, apontou nesta sexta-feira, 21, a existência de um "patrimonialismo selvagem" no País. Em discurso em reunião do Diretório Nacional do PPS, o ex-governador fez um discurso crítico ao governo federal, sem citar, no entanto, o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o Partido dos Trabalhadores (PT).

 

Serra disse que, quando o PSDB esteve no governo federal, diminuiu no País o patrimonialismo, definido por ele como "usar o governo como propriedade privada". "As práticas do patrimonialismo voltaram ao Brasil em sua plenitude, em tudo que tinha de pior", disse Serra. "Estamos no momento mais patrimonialista da nossa história. Acho que nem na República Velha, que era um regime oligárquico, tinha um patrimonialismo selvagem como o de hoje." O tucano apontou ainda a existência de "bolchevismo sem utopia", que seria a ideologia de grupos que chegam ao poder e esquecem a ética em nome do partido.

 

Serra disse que o Brasil está batendo atualmente recordes pouco alentadores, como o da maior taxa de juros do mundo e da maior carga tributária entre países em desenvolvimento, além figurar entre os governos que menos investem. Ele destacou a importância de investimentos de prefeituras e governos estaduais na comparação com os liberados pela União. Além disso, lembrou que o Brasil investiu nos últimos anos um terço do nível registrado na economia dos anos 70 e que em São Paulo sua gestão triplicou o volume de investimentos.

 

"A participação do governo federal (nos investimentos) é uma coisa pequena, quase insignificante, apesar de toda a onda", afirmou. Sem citar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o tucano disse que o governo conta autorizações para concessão de crédito de bancos de fomento e investimentos privados como se fossem dinheiro do governo federal. "É o New Brazilian Way of Privatization", ironizou.

 

As declarações de Serra foram feitas no encontro realizado pelo PPS, em São Paulo, para entregar propostas de governo ao presidenciável.

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