Clauber Cleber Caetano/PR
Clauber Cleber Caetano/PR

Brasil fecha intenção de cooperação com Emirados Árabes na área de armamentos

'Ninguém quer um Brasil extremamente belicoso, mas devemos ter o mínimo de dissuasão', diz Bolsonaro a jornalistas

Julia Lindner, Enviada Especial a Abu Dhabi

26 de outubro de 2019 | 13h58

ABU DHABI - Logo após a chegada do presidente Jair Bolsonaro a Abu Dhabi, o Brasil e os Emirados Árabes fecharam dois memorandos de entendimento na área da Defesa. Um deles trata da formação de um fundo de cooperação para a expansão da capacidade produtiva do setor e o outro de uma parceria estratégica relacionada ao desenvolvimento, produção e comercialização de armamentos.

O presidente Jair Bolsonaro antecipou que trataria de cooperações relacionadas a armamentos durante a sua passagem pelo Oriente Medio. "Armamentos. Basicamente é isso aí, meios de se defender. Ninguém quer um Brasil extremamente belicoso, mas devemos ter o mínimo de dissuasão", declarou a jornalistas após participar de cerimônia militar de homenagem aos mártires dos Emirados Árabes.

Bolsonaro afirmou que "todos os países buscam negociação nesse sentido (Defesa)" com o Brasil. "Todos, sem exceção, onde quer que eu vá essa questão sobre defesa é colocada na mesa", disse.

Segundo Bolsonaro, o Brasil foi "esquecido nessa área" nos últimos 30 anos. Em seguida, no entanto, disse que a área foi deixada de lado desde o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que governou o País entre 1995 e 2003.

De acordo com integrantes do Itamaraty, além das conversas relativas a produção e venda de armas, o governo deve assinar neste domingo um acordo sobre proteção mútua de informações militares. 

Parcerias comerciais

Bolsonaro pretende apresentar propostas para a venda cargeiros da Embraer, como o KC-390, durante a passagem pelos Emirados Árabes. Segundo uma fonte do Itamaraty, no entanto, o resultado concreto na área deve demorar, pois envolve negociação não só do avião, mas também da prestação de assistência de manutenção e condições de financiamento.

No domingo, Bolsonaro será recebido pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Xeque Mohamed bin Zayed Al Nahyan, no Palácio de Governo. Juntos, eles assinarão outros atos internacionais, como um acordo de Cooperação Mútua em Matéria Aduaneira, que pode reduzir burocracias fiscais. Além disso, as autoridades devem formalizar memorandos de entendimento sobre Inteligência Artificial e sobre Conservação da Biodiversidade.

Os Emirados são o país da região que está no estágio mais avançado em termos de negociação de acordos com o Brasil. Em pouco mais de dois anos foram assinados acordos para isenção de vistos para turistas, evitar bitributação sobre investimentos recíprocos e para facilitar investimentos.

Pensando nisso, um dos principais focos da viagem é divulgar a carteira do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) para atrair os fundos soberanos árabes. No caso dos Emirados Árabes, cuja estimativa dos fundos supera US$ 1 trilhão, a avaliação é de que eles possuem um potencial que precisa ser explorado - a parcela de investimentos no Brasil representa US$ 5 bilhões. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.