Brasil fará campanha para substituir plantação de fumo

Depois de consolidada a campanha contra o consumo do cigarro no Brasil, o Ministério da Saúde irá iniciar uma batalha ainda mais difícil e que promete levar anos: a substituição da plantação do fumo por outro cultivo com o objetivo de reduzir a produção do tabaco no País. A informação é do ministro da Saúde, Humberto Costa, que ontem recebeu um prêmio na Finlândia da Associação Americana de combate ao Câncer pelo trabalho do País pelo controle do cigarro. Falando por telefone de Helsinque, Costa revelou que o governo deve formar, no final do mês, uma comissão interministerial que estudará como implementar a Convenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o controle do tabaco. O tratado foi assinado no início do ano e, para que entre em vigor no Brasil, o congresso precisará ratificar o documento e várias leis deverão ser modificadas. Entre os vários pontos do tratado, os países devem aumentar os preços do cigarro e, de alguma forma, estudar a redução da produção do fumo. O esforço de subsituição promete ser complicado. O Brasil é hoje um dos maiores exportadores de fumo do mundo e o produto gera 2% da renda obtida pelo País no mercado internacional. Segundo a Associação de Fumicultores do Brasil (Afubra), o setor emprega 2,1 milhões de pessoas, principalmente nos Estados do sul. Humberto Costa reconhece que trabalho não será fácil."A substituição não ocorrerá da noite para o dia. Acredito que levará entre duas ou três gerações, mas temos de começar a enfrentar o desafio", afirmou Costa.Segundo ele, uma das formas que poderá ser estudada é a introdução de produtos que dêem a mesma rentabilidade aos produtores que hoje vivem da venda do fumo. Segundo dados da Afubra, o fumo rende cerca de cinco vezes mais que a produção do feijão e quase dez vezes o que milho daria ao produtor. Mas a mera proposta de um outro produto que gere a mesma renda aos agricultores pode não ser suficiente para que a campanha tenha sucesso. Funcionários da Organização Mundial da Saúde (OMS) acusam os fumicultores de estarem sendo financiados pelas empresas de cigarro, o que dificultaria ainda mais a implementação de um programa governamental que proponha uma subsituição de produção. Uma prova dessa relação entre produtores e empresas foi a aliança montada entre os dois grupos durante os três anos de negociações do tratado de controle docigarro. Os produtores brasileiros chegaram a enviar mais de mil cartas aos diplomatas brasileiros durante as negociações para pedir que seus interesses fossem ouvidos. PreçoNos próximos dias, o acordo da OMS será encaminhado para ratificação do congresso e, além da campanha pela substituição do cultivo do tabaco, o ministro garantiu que irá estudar a elevação do preço do cigarro. "Hoje, o Brasil é o quinto lugar mais barato do mundo para se comprar um cigarro", completou o ministro.

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