Brasil exporta tecnologia antiaids

O ministro da Saúde, José Serra, assinou nesta quarta-feira carta de intenções com a Organização Não-Governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) com o objetivo de desenvolver ações de combate à aids, sobretudo em países africanos de língua portuguesa.A parceria prevê a transferência de tecnologia, capacitação de profissionais de saúde, assessoria técnica e execução de projetos com governos e sociedade civil. A entidade negocia ainda com o Brasil a compra de remédios genéricos.CooperaçãoAtualmente, o Ministério da Saúde mantém projetos de cooperação com quatro países africanos de língua portuguesa: Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe e Guiné Bissau. A MSF atua em oito países da África, além de outros 21 da Ásia, do Leste Europeu e da América Latina. A maioria dos programas da organização oferece assistência a portadores do vírus, incluindo a doação de alguns medicamentos anti-retrovirais.A carta de intenções leva em conta a política de trabalhar em conjunto as ações de assistência e prevenção, defendida pelo Ministério da Saúde e pelo MSF. Não está previsto o repasse direto de recursos, mas a cooperação técnica e suporte de recursos humanos.Doenças negligenciadasO presidente da MSF, o francês Bernard Pécuol, disse nesta quarta, durante o 4º Congresso Brasileiro de Prevenção às DST e Aids, em Cuiabá, que cerca de 13 milhões de pessoas morrem em todo mundo vítimas das chamadas doenças negligenciadas, como malária, esquistossomose, doença de Chagas entre outras enfermidades, associadas a condições de subdesenvolvimento.Em sua avaliação, isto ocorre porque não há interesse comercial dos laboratórios farmacêuticos na pesquisa e desenvolvimento de drogas que combatam essas doenças.Indignada com a falta de medicamentos nos países pobres, a organização internacional lançou uma campanha para chamar a atenção do mundo para este problema. Denominada Campanha de Acesso a Medicamentos Essenciais, a iniciativa dos MSF vem chamando atenção para a questão da democratização do acesso aos remédios e para mecanismos de estímulo à pesquisa científica que atendam as demandas locais.Receita é maior que o PIB do BrasilO médico francês elogiou a atuação do governo brasileiro na luta pelo acesso universal por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) aos medicamentos da aids. Segundo ele, depois que a imprensa e o Ministério da Saúde começaram a criticar duramente os preços abusivos dos medicamentos produzidos por laboratórios estrangeiros, houve uma redução significativa no preço dos remédios para aids em nível internacional."Como as empresas que fabricam medicamentos ficam nos países ricos, elas não têm interesse em produzir vacinas ou outros remédios para combater doenças que atingem os países pobres. Esta mentalidade tem que acabar. Só na África existem 500 mil pessoas com enfermidades que são negligenciadas pelos grandes laboratórios", destacou Pécoul.A ONG britânica Oxfan apresentou no congresso um estudo mostrando que a receita de quatro laboratórios estrangeiros - Merck, Pfizer, GlaxoSmithKline e Eli Lilly - totalizam US$ 700 bilhões, US$ 40 bilhões a menos que o Produto Interno Bruto (PIB) - número obtido pela ong em relatório do Banco Mundial de 1999 - que representa a soma das riquezas nacionais do Brasil.

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