Manuel Elias/ONU
Manuel Elias/ONU

Brasil e Venezuela são eleitos para Conselho de Direitos Humanos da ONU

Governo brasileiro teve adesão de 153 países, enquanto venezuelanos foram apoiados por 105 nações

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2019 | 13h09
Atualizado 17 de outubro de 2019 | 15h39

O Brasil e a Venezuela foram eleitos nesta quinta-feira, 17, para compor o Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas nos anos de 2020-2022. Os dois países foram escolhidos em votação realizada na Assembleia-Geral. Enquanto o Brasil teve apoio de 153 países e obteve a reeleição, a Venezuela foi respaldada por 105 nações e vai substituir Cuba. 

Os dois países são os representantes da América Latina. O governo de Costa Rica tentou conquistar um dos assentos, mas obteve apenas 96 votos e ficou de fora. O objetivo do país caribenho era vetar a entrada da Venezuela. 

O Conselho de Direitos Humanos da ONU foi criado em 2006 e escolhe seus 47 membros em votações nas quais participam os 193 países que compõem a Assembleia-Geral. O País já foi eleito para o grupo em 2006, 2008, 2012 e 2016. 

Em entrevista à ONU News, o embaixador do Brasil na Organização, Mauro Vieira, afirmou que a reeleição mostra o "legado" do País na defesa dos direitos humanos. "O número elevado de apoios representa o papel que o Brasil tem, a imagem que tem nessa instituição e, sobretudo, o legado para a defesa dos direitos humanos", afirmou. 

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'O Artigo 4º da Constituição Brasileira defende a aplicação dos direitos humanos como um dos princípios orientadores da política externa. Esse reconhecimento internacional é muito importante e mostra que temos mantido as boas práticas nessa área'. 
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Mauro Vieira, embaixador do Brasil na ONU

Outros 12 países foram eleitos nesta quinta: Alemanha, Polônia, Holanda, Armênia, Sudão, Namíbia, Líbia, Mauritânia, Japão, Indonésia, Coreia do Sul e Ilhas Marshall. 

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Contexto

A vaga pleiteada pelo Brasil estava praticamente certa até o último dia 3, quando Carlos Alvarado Quesada, presidente da Costa Rica, colocou sua candidatura, como forma de impedir que a Venezuela assumisse um posto no conselho. Apesar da intenção oficial de barrar o governo de Nicolás Maduro, o movimento foi encarado como uma ameaça também à vaga brasileira, cuja relação com outros países-membros da organização tem se desgastado nos últimos meses. 

Além da candidatura repentina da Costa Rica, havia ainda preocupação com os "desconfortos" diplomáticos protagonizados por Jair Bolsonaro, como as críticas a Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e comissária para Direitos Humanos da ONU. Ainda na campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro afirmou que pretendia retirar o Brasil da ONU caso fosse eleito. Mais tarde, ele se retratou, esclarecendo que se referia apenas ao Conselho de Direitos Humanos, para o qual concorreu. / COLABOROU JOÃO KER

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