Brasil e Venezuela avançam em Mercosul, mas refinaria fica para depois

Chávez apresentou um cronograma detalhado sobre adaptação de seus país às regras do bloco.

BBC Brasil, BBC

26 de maio de 2009 | 22h42

Durante um encontro em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega venezuelano, Hugo Chávez, avançaram nas discussões sobre a entrada da Venezuela no Mercosul, mas não chegaram a um acordo sobre a parceria entre os dois países na refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

"Só não foi possível concluir o acordo entre a Petrobras e a PDVSA, porque são duas moças muito bonitas, muito fortes, que disputam milimetricamente cada problema", disse Lula.

O projeto da refinaria foi lançado em 2005, com investimento previsto de US$ 9 bilhões, sendo 40% da Venezuela e 60% do Brasil.

Os dois governos, no entanto, não chegaram a um acordo sobre detalhes do contrato, como o valor a ser pago pelo petróleo que virá da Venezuela. A negociação foi prorrogada por mais 90 dias.

Os dois presidentes lamentaram o fato de um acordo sobre a refinaria não ter sido possível. A conversa foi fechada à imprensa mas, por um engano da organização, o áudio foi captado por um microfone e transmitido pelo sistema.

"Não podemos conceder um preço diferenciado para a Petrobras. O preço tem que ser de mercado e funciona assim em todo o mundo: em Cuba, Estados Unidos e Rússia", disse Chávez.

Mercosul

Outro tema da agenda bilateral, os preparativos para a entrada da Venezuela no Mercosul "avançaram", de acordo com o Itamaraty.

A Venezuela apresentou um cronograma mais detalhado sobre sua adaptação às regras do bloco. Lula disse esperar que o assunto seja votado pelo Senado brasileiro nos próximos três meses.

"Os que apostaram no fracasso das relações ou no enfraquecimento do Mercosul perderam", disse o presidente brasileiro.

A Comissão de Relações Exteriores do Senado marcou para o dia 10 de junho mais uma audiência pública para debater o tema.

Crédito

Os governos de Venezuela e Brasil assinaram uma carta de intenções na área bancária, que prevê projetos habitacionais da Caixa Econômica Federal no país vizinho. A execução dos projetos, no entanto, está sujeita a um estudo de viabilidade.

Os dois países discutem ainda novas linhas de financiamento do BNDES à Venezuela, mas nenhum acordo foi formalizado durante a reunião em Salvador.

A mais provável, até o momento, é uma linha de crédito para a ampliação do metrô de Caracas, no valor US$ 730 milhões. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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