Brasil é rota do tráfico entre Peru e Colômbia

Guerrilheiros e narcotraficantes peruanos estão usando a selva brasileira, no Acre, para levar pasta-base de cocaína até os laboratórios de refino da Colômbia. Os traficantes abriram uma estrada de 80 quilômetros de extensão na região de Marechal Thaumaturgo (AC), localizada na fronteira do Brasil com o Peru, para facilitar o transporte da droga. A utilização do território brasileiro pelos traficantes foi denunciada à Polícia Federal pelo cacique Moisés Pianko, da tribo ashaninca do Rio Anômea, que em dezembro foi invadida por madeireiros peruanos.A PF vai iniciar, até o final desta semana, uma operação na região para investigar a denúncias dos índios, anunciou o superintendente Ney Ferreira de Souza. O serviço de inteligência da PF investiga denúncias de que traficantes do Peru e da Colômbia estariam recrutando seringueiros e moradores da região do Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), onde aldeia fica localizada, para transportar drogas no meio da selva, em direção à Colômbia.Segundo moradores da região, os traficantes estariam recrutando os seringueiros para atuarem como "mulas" (transportadores de droga) mediante ao pagamento em dólar, doação de alimentos e roupas. Em alguns casos, os "mulas" seriam obrigados a andar 150 quilômetros de selva, em território brasileiro, para levar a pasta de cocaína produzida no Peru até os cartéis da Colômbia.A PF tem informações de que os traficantes que atuam na área estão fortemente armados. Moradores da região relataram a policiais que eles utilizam lança-granadas, fuzis AR-15 e metralhadoras durante as operações de transporte de cocaína no meio da selva. O serviço reservado da Polícia Militar do Acre também colheu informações idênticas com os moradores da área do Parque da Serra do Divisor.

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